Quem: Vicente Lenílson, Edson Luciano, André Domingos e Claudinei Quirino
O que: conquistaram a medalha de prata no revezamento 4x100m
Quando: em 30 de setembro de 2000, há exatos 25 anos
Onde: Jogos Olímpicos de Sydney, Austrália
Por quê: a combinação de técnica de passagem de bastão, preparação física rigorosa e entrosamento fora das pistas levou o Brasil ao pódio mais rápido de sua história até então
Da classificação à prata: a trajetória até a final
O quarteto brasileiro começou forte ao vencer a série eliminatória com 38s32 e avançou à semifinal, onde marcou 38s27 mesmo com uma troca de bastão instável. Na decisão, já com o alinhamento Lenílson–Luciano–Domingos–Quirino, o Brasil cravou 37s90, superou Cuba nos metros finais e garantiu o segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos.
Raio-X da campanha
Tempos por fase
• Eliminatória: 38s32 (1º da série)
• Semifinal: 38s27 (2º geral)
• Final: 37s90 (recorde sul-americano à época)
Comparação com marcas históricas brasileiras
• 1996 (Atlanta) – Bronze: 38s39
• 2000 (Sydney) – Prata: 37s90
• 2008 (Pequim) – 4º lugar: 38s24
A prata de Sydney segue como melhor resultado olímpico do país no 4x100m masculino.
A técnica que virou referência mundial
Treinado por Jayme Netto, o time adotou um método em que o atleta recebedor estendia o braço lateralmente e perpendicular ao corpo, ampliando o ângulo de visão para o bastão. Essa alteração diminuiu o tempo de troca em até 0s05, suficiente para decidir posições em provas de centésimos.
Treinos de improviso que moldaram campeões
Sem pista sintética ou academia moderna em Presidente Prudente (SP), os velocistas usavam pneus amarrados à cintura, subidas íngremes e até carros empurrados em estradas de terra para desenvolver potência. O contexto de recursos limitados reforçou a coesão do grupo e provou que planejamento técnico pode compensar lacunas estruturais.
Imagem: Internet
Impacto e legado para o atletismo brasileiro
A medalha impulsionou novos investimentos na CBAt e serviu de vitrine para programas de base focados em velocidade. Entre 2001 e 2024, o Brasil disputou todas as finais mundiais de revezamento 4x100m em que completou a prova, algo inédito antes de Sydney.
Projeção: reflexos em Paris-2024 e Los Angeles-2028
A atual seleção masculina carrega o DNA técnico desenvolvido há 25 anos: troca lateralizada e prioridade ao entrosamento sobre tempos individuais. O ciclo até Paris 2024 já rendeu 38s05 no Mundial de Budapeste-2023, a quinta melhor marca da história do país. Mantendo a curva de evolução, a meta de voltar ao pódio olímpico em Los Angeles-2028 passa por reduzir o tempo de passagem em 0s08 — exatamente a vantagem que separou o Brasil do ouro em 2000.
Conclusão prospectiva: o aniversário de um quarto de século da prata em Sydney não é apenas celebração; funciona como lembrete estratégico de que processos bem definidos, mesmo em cenários adversos, sustentam resultados de elite. Resta saber se a nova geração conseguirá transformar esse legado em medalha nas próximas duas Olimpíadas, mantendo o Brasil entre as potências do revezamento.
Com informações de Netvasco