Paris (11.mar.2026) – O Paris Saint-Germain goleou o Chelsea por 5 a 2 no Parque dos Príncipes, na partida de ida das oitavas de final da Champions League, mas o técnico Luis Enrique tratou de esfriar qualquer empolgação: “É impossível sermos como na temporada passada”, afirmou o espanhol na entrevista pós-jogo, referindo-se à campanha histórica de 2024/25 em que o clube venceu Champions, Ligue 1 e Copa da França.
Por que a régua subiu tanto?
O PSG de 2024/25 estabeleceu um padrão inédito: triplete, 100% de aproveitamento em fases de mata-mata europeias e domínio quase absoluto da Ligue 1. Naturalmente, o torcedor passou a enxergar qualquer resultado abaixo desse patamar como decepção. Em 2025/26, porém, o cenário mudou:
- Derrota para o Monaco na última rodada da liga, que permitiu ao Lens encostar a apenas um ponto da liderança.
- Eliminação precoce na Copa da França diante do Paris FC, ainda na segunda rodada.
- 11.ª posição na fase de liga da Champions e necessidade de disputar os playoffs — superando o próprio Monaco por 5 a 4 no agregado.
- Cicatriz recente: revés de 3 a 0 para o Chelsea na final do Mundial de Clubes de 2025.
Todos esses fatores compõem o pano de fundo da declaração de Luis Enrique: repetir o “ano perfeito” é estatisticamente improvável, e sinais de oscilação já apareceram.
Raio-X da temporada 2025/26 do PSG
Abaixo, um resumo do desempenho parisiense nas três frentes restantes:
- Champions League: 5 vitórias, 2 empates e 3 derrotas até aqui; saldo de +9 gols.
- Ligue 1: 20 jogos, 14 vitórias, 3 empates, 3 derrotas; ataque mais positivo do torneio (48 gols marcados).
- Copa da França: eliminado na 2.ª rodada.
Em comparação, o PSG de 2024/25 chegou a março com apenas uma derrota em todas as competições. A queda de consistência defensiva — evidenciada pelos dois gols sofridos contra o Chelsea e pelo recuo estatístico na liga — é ponto de atenção dentro da comissão técnica.
O que significa o 5 a 2 sobre o Chelsea?
Apesar dos alertas, a goleada quebra um tabu psicológico: é a primeira vitória parisiense sobre os Blues desde 2023. O resultado também devolve controle da eliminatória ao PSG, que poderá avançar mesmo perdendo por até dois gols em Stamford Bridge. Segundo o próprio Luis Enrique, a chave agora é “descansar e encarar o ambiente hostil de Londres com a mesma intensidade”.
Imagem: Baptiste Fernandez
Impacto tático: ajuste ou exceção?
Na análise de campo, chamou atenção a postura mais reativa do PSG, que explorou falhas na saída de bola inglesa e foi cirúrgico em transições rápidas. O encaixe de um tripé de meio-campo com volantes de maior força física (algo que faltou no Mundial) pode ser indício de mudança estrutural para jogos grandes. No entanto, resta saber se esse modelo será sustentável na Ligue 1, onde os adversários tendem a ceder menos espaços.
Próximos compromissos
- 17/03 – Chelsea x PSG (Champions League, volta das oitavas)
- 21/03 – Nice x PSG (Ligue 1)
Uma classificação tranquila em Londres permitiria a Luis Enrique rodar o elenco no calendário doméstico, poupando titulares para o sprint final da Ligue 1. Caso contrário, o técnico terá de equilibrar forças em duas frentes que exigem máxima concentração.
Conclusão prospectiva: a vitória imponente diante do Chelsea recoloca o PSG na rota europeia, mas o próprio treinador sinaliza que a temporada 2025/26 tem complexidades ausentes no “ano perfeito”. As próximas semanas revelarão se a equipe encontrou um novo ponto de equilíbrio ou se o 5 a 2 foi apenas um lampejo — e é justamente essa incerteza que deverá pautar o interesse dos torcedores e do mercado até o fim do semestre.
Com informações de Trivela