Belo Horizonte (MG) – Em apenas três dias, Everson Felipe passou de protagonista da briga que envolveu 23 expulsões no clássico contra o Cruzeiro, no domingo (14), para herói da vitória do Atlético-MG por 1 a 0 sobre o Internacional, na quarta-feira (17), na Arena MRV, resultado que garantiu os primeiros três pontos do clube no Brasileirão 2024.
Da turbulência ao protagonismo: cronologia da semana
No domingo, durante o jogo decisivo do Campeonato Mineiro, o clássico foi interrompido por uma confusão generalizada que terminou com 23 jogadores expulsos. Everson, que deixou a meta para apartar a briga e acabou envolvido no tumulto, foi um dos atletas punidos.
Três dias depois, já pela primeira rodada do Brasileirão, o goleiro mostrou frieza ao fazer quatro defesas difíceis — incluindo uma à queima-roupa em finalização de Wesley — e assegurou a vitória solitária construída com gol de Paulinho. O contraste evidenciou a importância do camisa 22 para o elenco alvinegro.
Por que Everson ainda não veste a amarelinha?
Desde 2021, nenhum goleiro acumula tantos minutos e títulos quanto Everson no futebol brasileiro: Campeonato Brasileiro 2021, Copa do Brasil 2021 e Supercopa 2022. Mesmo assim, ele nunca foi convocado para a Seleção principal. A concorrência recente tem contado com nomes como Alisson (Liverpool), Ederson (Manchester City), Bento (Athletico-PR) e Weverton (Palmeiras). O critério de atuar na Europa ou a idade — Everson completou 33 anos — podem pesar, mas o desempenho doméstico sustenta o debate.
Raio-X de Everson desde 2021
Brasileiro 2021
• Jogos: 34
• Gols sofridos: 29 (média 0,85)
• Jogos sem sofrer gol: 15
• Títulos: Campeão com a defesa menos vazada
Brasileiro 2022
• Jogos: 37
• Gols sofridos: 41
• Clean sheets: 11
Brasileiro 2023
• Jogos: 38
• Gols sofridos: 32 (defesa menos vazada do torneio)
• Clean sheets: 20 (líder do campeonato)
No recorte de 2021 a 2023, Everson soma 46 jogos sem sofrer gol em 109 partidas de Série A, índice de 42 %, superior ao de qualquer outro goleiro que atuou pelo menos 80 jogos no período.
Imagem: Pedro Souza
O que a vitória sobre o Inter revela sobre o Atlético
A atuação ainda teve problemas de criatividade — o time finalizou apenas seis vezes, metade delas de média distância —, mas a postura competitiva foi elogiada pela torcida que entoou “Eu quero raça do time todo”. A resposta veio na forma de marcação adiantada, 13 desarmes certos e apenas duas grandes chances concedidas, segundo o Scout Galo.
Para o técnico Gabriel Milito, que completou seu terceiro jogo, a partida serviu de laboratório: ele testou o trio Battaglia, Zaracho e Gustavo Scarpa no meio-campo, buscando resolver a falta de construção mostrada no clássico estadual.
Próximos compromissos e impacto futuro
O triunfo alivia a pressão sobre o elenco e dá confiança para a sequência decisiva. No domingo (21), o Galo visita o Corinthians pela 2ª rodada do Brasileirão. Três dias depois, encara o Peñarol, no Mineirão, pela terceira rodada do Grupo G da Conmebol Libertadores. Com Everson em alta, a expectativa é de que o Atlético mantenha a solidez defensiva — são apenas três gols sofridos nos últimos oito jogos oficiais.
Perspectiva: Se o goleiro repetir as atuações de quarta-feira, Milito ganha tempo para ajustar o meio-campo e potencializar o ataque. Ao mesmo tempo, cada exibição segura reacende a discussão sobre a ausência de Everson na lista de Dorival Júnior, tema que pode ganhar força conforme o Galo avance em três frentes (Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores).
Com informações de Fala Galo