São Paulo, 18 de março de 2026 – Enquanto recebia massagem no CT Rei Pelé, do Santos, na última segunda-feira (16), Neymar acompanhou pelo celular a convocação de Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira. Ao perceber que seu nome não estava na lista, o camisa 10 reagiu, bem-humorado: “P…, Ancelotti, e eu?”, como mostra o vídeo “48 horas sem filtro” publicado em seu canal no YouTube.
Reação imediata: do humor à determinação
Logo após a divulgação oficial, Neymar admitiu tristeza, mas reforçou comprometimento com futuros chamados: “Fico triste, óbvio, mas é seguir trabalhando para, se tiver oportunidade, estar preparado”. No trajeto de volta para casa, reiterou a meta de virar a página no dia seguinte, focando em treinos e jogos para chegar apto à Copa do Mundo de 2026.
Por que Ancelotti deixou Neymar de fora desta Data Fifa?
Desde a ruptura do ligamento cruzado anterior sofrida em outubro de 2023, o atacante alterna momentos de recuperação e retomada de ritmo. Embora já atue regularmente, ainda busca sequência completa de 90 minutos em partidas consecutivas – um critério que Ancelotti tem priorizado para os amistosos de alto nível contra França (26/03) e Croácia (31/03).
Além disso, o treinador italiano tem mantido a linha de testar a nova geração ofensiva em um 4-3-3 móvel, com pontas de velocidade (Vinicius Jr. e Raphinha) e um “9” dinâmico (Endrick ou Igor Thiago). A ausência de um meia-atacante clássico obriga os extremos a atuarem por dentro, função que Neymar domina, mas que Ancelotti vem delegando a jogadores em melhor ritmo competitivo.
Raio-X da convocação: dados que pesaram na balança
Idade média do ataque convocado: 26,3 anos
Gols somados pelos atacantes europeus na temporada 2025/26: 87 (dados até 15/03)
Último jogo de Neymar pela Seleção: 17/10/2023, vs. Uruguai (Eliminatórias)
Recorde pessoal: 79 gols em 128 partidas pela Seleção (maior artilheiro do Brasil)
O dado que mais chama atenção é o total de minutos jogados em 2026: Vinicius Jr. (2.640 min), Gabriel Martinelli (2.204 min) e Raphinha (2.031 min) lideram o ranking, enquanto Neymar soma 1.118 minutos em partidas oficiais desde o retorno da lesão – volume considerado insuficiente pelo departamento de análise de desempenho da CBF para a carga física dos amistosos europeus.
Impacto imediato nos amistosos de março
Sem Neymar, o Brasil deve manter o trio Vinicius Jr. – Endrick – Raphinha, utilizado nos treinos de preparação. A principal consequência tática é a maior liberdade para Casemiro avançar como “segundo construtor”, função que seria parcialmente ocupada por Neymar quando recua para articular.
Imagem: Internet
Contra a França, a expectativa é de confrontar uma linha defensiva alta. A velocidade de Vinicius é vista como arma fundamental, algo que Ancelotti já explorava no Real Madrid e agora transpõe para a Seleção. Matheus Cunha surge como opção para falso 9, permitindo rotações constantes entre os pontas.
O caminho até a Copa: portas abertas ou ciclo encerrado?
A exclusão deste mês não significa corte definitivo. A comissão técnica ainda tem duas janelas de amistosos (maio e setembro) e a reta final das Eliminatórias para ajustar o elenco de 26 nomes para a Copa do Mundo de 2026, cuja lista final deve ser enviada à FIFA em 15 de novembro. Desempenho, minutagem e condição clínica seguirão como critérios-chave.
Em síntese, a não convocação expõe a mudança geracional e o foco de Carlo Ancelotti em jogadores com maior ritmo competitivo no primeiro semestre de 2026. Se mantiver a evolução física e a sequência de jogos no Santos, Neymar ainda pode figurar na lista derradeira, mas dependerá de consistência até a próxima Data Fifa.
Com informações de ESPN.com.br