Barcelona, 15 de março de 2026 – Mesmo com a vitória por 5 x 2 sobre o Sevilla, um hat-trick de Raphinha e a manutenção da vantagem de quatro pontos na liderança de LaLiga, Hansi Flick deixou o gramado do Estadi Olímpic Lluís Companys insatisfeito. O técnico alemão afirmou na entrevista coletiva pós-jogo que o time “não jogou com a convicção habitual” e precisa evoluir já na próxima quarta-feira (18), quando recebe o Newcastle pela volta das oitavas de final da Champions League.
Pressão alta em xeque: onde o Barça falhou
Flick apontou dois momentos-chave que expuseram a equipe:
- O primeiro gol do Sevilla, quando o placar ainda era 3 x 0, saiu de uma tabela nas costas de João Cancelo, com espaço excessivo para o cruzamento de Joanlu Sánchez.
- O segundo, já nos minutos finais, teve origem em outra ação pelos flancos, concluída por Djibril Sow.
Para o treinador, a gegenpressing – marca registrada de seu trabalho – não foi eficaz. A instrução é recuperar a bola nos primeiros cinco segundos após a perda; porém, em ambos os lances o Sevilla ultrapassou essa janela, conseguiu levantar a cabeça e explorar o lado oposto.
Raio-X estatístico da temporada
Barcelona em LaLiga 2025/26*
- Gols marcados: 71 (média 2,84/jogo – 1º no campeonato)
- Gols sofridos: 29 (média 1,16/jogo – 5ª melhor defesa)
- PPDA (passes permitidos por ação defensiva): 8,9 – 3º time que mais pressiona
- Recuperações no terço ofensivo: 150 – líder da competição
*Dados consolidados até a 25ª rodada
Os números mostram uma equipe agressiva sem a bola, mas a queda de intensidade nas últimas rodadas preocupa: nas três partidas anteriores, o índice de PPDA saltou para 10,7, indicando menor eficiência na primeira linha de pressão.
Imagem: IMAGO
Raphinha decisivo e Gavi de volta
O hat-trick do brasileiro levou Raphinha a 14 gols e 11 assistências na liga, participando diretamente de 35% dos tentos culés. Já o retorno de Gavi após longa lesão oferece a Flick a alternativa de um interior com alta mobilidade, essencial para compactar a equipe quando perde a posse.
Impacto na Champions: lições para encarar o Newcastle
No empate por 1 x 1 em St. James’ Park, o Barcelona sofreu com o vigor físico inglês, especialmente nos duelos do meio-campo. O Newcastle venceu 58% das disputas aéreas e obrigou Joan García a seis defesas. Para a volta:
- Pressão coordenada: reduzir o tempo de posse de Bruno Guimarães, responsável por 10 passes para finalização na ida.
- Proteção pelos lados: Trippier e Gordon geraram 14 cruzamentos no primeiro confronto; Cancelo e Baldé terão de equilibrar apoio e recomposição.
- Gestão de vantagem: se abrir o placar, manter posse qualificada – algo que não ocorreu diante do Sevilla nos minutos finais.
Conclusão prospectiva
O alerta dado por Flick após a goleada é menos sobre o placar de domingo e mais sobre a exigência competitiva que bate à porta. Se o Barcelona repetir as oscilações de pressão e controle apresentadas contra o Sevilla, corre o risco de ver a Champions escapar em casa – cenário que mudaria completamente o peso da temporada. Por outro lado, corrigir esses detalhes pode transformar a bronca pública em combustível tático para uma classificação que manteria o clube vivo em duas frentes decisivas.
Com informações de Trivela














