São Paulo, — O zagueiro Alan Franco recorreu às redes sociais, na noite de domingo, para compartilhar imagens dos lances polêmicos do clássico contra o Palmeiras no MorumBis e escreveu a frase provocativa: “Se quiser, tem mais”. A publicação ocorreu poucas horas depois de a CBF confirmar o afastamento do árbitro Ramon Abatti Abel, responsável pelas decisões contestadas que marcaram a vitória alviverde por 1 x 0, válida pelo Campeonato Brasileiro.
Como a polêmica começou
O Choque-Rei reuniu pouco mais de 33 mil torcedores e terminou decidido por gol de cabeça de Aníbal Moreno. A partida, porém, ficou marcada por ao menos três lances em que o São Paulo reclama de interpretação: um possível pênalti não assinalado, um impedimento supostamente mal traçado pelo VAR e uma falta na origem do gol palmeirense. O desligamento temporário de Abatti Abel, anunciado pela Comissão de Arbitragem, reforçou a percepção de erro e deu munição a manifestações de atletas e dirigentes tricolores.
Raio-X do Choque-Rei
- Posse de bola: Palmeiras 54 % x 46 % São Paulo
- Finalizações totais: Palmeiras 12 x 9 São Paulo
- Lances revisados pelo VAR: 0 chamadas de campo (todos checados remotamente)
- Cartões amarelos: 5 (3 para o São Paulo, 2 para o Palmeiras)
Os números mostram um jogo equilibrado, mas a ausência de revisões “on-field” gerou questionamentos sobre a aplicação do protocolo. Com o resultado, o Palmeiras assumiu a liderança provisória do torneio; o São Paulo manteve-se no pelotão intermediário.
Impacto na tabela e na estratégia tricolor
Antes da derrota, o São Paulo ostentava uma das três defesas menos vazadas da competição (média inferior a 1 gol sofrido por partida). A continuidade desse desempenho defensivo é vital para a equipe de Luis Zubeldía, cuja proposta prevê linha adiantada e pressão alta. Alan Franco, peça-chave nesse sistema, lidera o elenco em cortes (média de 4,2 por jogo) e interceptações (1,8). Qualquer instabilidade anímica provocada por questionamentos à arbitragem pode afetar a concentração do setor.
O que diz o protocolo do VAR e a cobrança de Casares
O presidente Julio Casares solicitou publicamente que a CBF libere os áudios das checagens, ainda que o árbitro não tenha sido chamado ao monitor. O protocolo atual determina divulgação apenas quando há on-field review. A exceção defendida pelo São Paulo abriria precedente para maior transparência, tema sensível após episódios recentes de contestação em diferentes clubes.
Imagem: Rubens Chiri
Próximos capítulos: calendário e possíveis consequências
O Tricolor volta a campo na quarta-feira, fora de casa, diante do [próximo adversário]. A comissão técnica monitora o impacto psicológico do clássico sobre o elenco e deve trabalhar a recuperação emocional nos treinos de reapresentação. Paralelamente, a Diretoria de Competições da CBF avaliará se publica ou não os diálogos do VAR, medida que pode alterar a forma de comunicação da arbitragem no restante do campeonato.
Em síntese, a manifestação de Alan Franco potencializou a pressão pela transparência do VAR e marcou a primeira crise de arbitragem relevante do Brasileirão 2024. O desfecho — divulgação ou não dos áudios — tende a influenciar não apenas a relação entre clubes e CBF, mas também o clima dos próximos jogos, em especial aqueles que envolvem briga direta pelas primeiras posições.
Com informações de Nação Tricolor