São Paulo, dois anos depois de sua chegada ao Allianz Parque — O Palmeiras oficializou a transferência do volante Aníbal Moreno para o River Plate por um valor inferior ao que desembolsou no fim de 2023, incluindo bônus por metas atingidas. A operação, concluída nesta semana, transforma o argentino de 25 anos em mais um exemplo de contratação que não gerou o retorno esportivo nem financeiro planejado pela diretoria alviverde.
Por que a venda foi considerada um “mau negócio”
Quando chegou do Racing, Moreno foi contratado para dar intensidade ao meio-campo e preencher a lacuna de um primeiro volante capaz de marcar e articular. O Verdão apostava em três frentes de retorno:
- Desportivo: consolidá-lo como titular em competições nacionais e continentais.
- Mercadológico: valorizar o jogador com boas campanhas e eventuais convocações para a seleção argentina — ele foi lembrado uma única vez.
- Financeiro: revendê-lo acima do investimento inicial, em linha com a meta de R$ 200 milhões em vendas orçada para a temporada seguinte.
Nenhum dos três pilares foi atendido integralmente. Convocação esporádica, queda de rendimento em 2025 e oferta do River abaixo do preço de aquisição evidenciaram o descompasso entre planejamento e execução.
Do gol do título ao banco de reservas
2024 — Moreno marcou o gol que selou o Campeonato Paulista e viveu seu auge em participação ofensiva.
2025 — Erros decisivos contra Corinthians, Flamengo e Grêmio minaram a confiança da comissão técnica. Mesmo diante de concorrência limitada, perdeu espaço para Emiliano Martínez.
Raio-X dos números de Aníbal Moreno no Palmeiras
- Jogos disputados: 86
- Gols: 4 (1 em finais)
- Assistências: 3
- Cartões amarelos: 14 | Vermelhos: 1
- Participação em títulos: Campeonato Paulista 2024
Fonte: base de dados pública Footstats/Transfermarkt
Contratações recentes: padrão de investimento alto e revenda baixa
Além de Aníbal, o Verdão acumulou operações que não atingiram o “break-even”:
- Tabata — adquirido por valor elevado, pouco tempo de jogo e revenda sem lucro.
- Caio Paulista — desempenho irregular e dificuldade de reposicionamento no elenco.
- Bruno Rodrigues e Micael — contratos caros, uso limitado e zero valorização.
O único case distinto foi Richard Ríos, que se tornou titular, gerou convocações pela Colômbia e mantém potencial de mercado.
Imagem: Divulgação
Impacto na montagem do elenco de 2026
Com Moreno fora, o Palmeiras fica com apenas dois volantes de contenção acostumados ao ritmo de Série A. A diretoria terá de decidir se:
- Promove atletas da base — estratégia que sustentou as últimas metas de venda.
- Vai ao mercado em busca de reposição — contrariando o objetivo de redução de custos após a perda financeira na negociação com o River.
A ausência de um “camisa 5” consolidado pode influenciar o modelo de jogo, obrigando Abel Ferreira (ou eventual sucessor) a ajustar o equilíbrio defensivo na transição.
Conclusão prospectiva: A saída de Aníbal Moreno escancara a necessidade de revisão nos critérios de contratação do Palmeiras. Sem retorno técnico nem lucro, o Verdão adia o equilíbrio orçamentário e cria nova urgência: reforçar o meio-campo antes das fases decisivas da Libertadores e do Brasileirão 2026.
Com informações de Nosso Palestra