Florian Wirtz, contratação de 116,5 milhões de euros do Liverpool, completou seu sétimo jogo de Premier League sem gols ou assistências e ganhou o incômodo rótulo de “007” — expressão cunhada nas redes para quem estreia com zero gols, zero assistências e sete partidas.
O que significa ser “007” no futebol inglês?
O termo brinca com a identidade do agente secreto James Bond e passou a ser usado para apontar atacantes que não produzem ações diretas de gol nos sete primeiros compromissos pelo novo clube. A métrica, ainda que simplista, tem ganhado força entre torcedores e perfis estatísticos como uma espécie de “termômetro inicial” de adaptação ofensiva.
De onde veio o apelido?
A primeira menção viral ocorreu em 2021, quando a Sky Germany exibiu Jadon Sancho — recém-chegado ao Manchester United por 73 milhões de euros — em um gráfico vestido de smoking com a legenda “They call me 007: 0 goals, 0 assists, 7 games”. A partir daí, a alcunha se espalhou pelos canais digitais de fãs e veículos especializados.
Os “007” da temporada 2024/25
Além de Wirtz, outros nomes de peso já carregam (ou carregaram) o sinal de alerta:
- Matheus Cunha (Manchester United) – custo de 62,5 milhões de euros após saída do Wolves, também sem participações diretas em gol nas sete primeiras rodadas.
- Thierno Barry (Everton) – reforço de 27 milhões vindo do Villarreal, igualmente zerado em gols e assistências.
- Benjamin Sesko (Manchester United) – evitou o rótulo ao marcar no sexto jogo, na derrota por 3-1 para o Brentford.
Raio-X: por que os sete primeiros jogos importam?
Dados históricos indicam que atacantes que pontuam cedo tendem a manter produção sólida: segundo levantamento do site Understat, estreantes que marcam até a 5ª rodada entregam, em média, 0,42 gol/90 min ao longo da temporada, contra 0,27 gol/90 min daqueles que demoram mais de dez jogos para desencantar. Embora não seja sentença definitiva, a amostra explica o foco nos primeiros compromissos.
Quando o “007” não define o futuro
Há casos célebres de virada de chave:
- Thierry Henry (Arsenal, 1999) – levou oito jogos para anotar o primeiro gol, terminou com 175 na Premier League e quatro Chuteiras de Ouro.
- Matheus Cunha (Wolverhampton) – também viveu um “007” anterior, mas encerrou a passagem pelo Molineux com 33 gols em três temporadas, provando poder de adaptação tardia.
Impacto tático para Liverpool, United e Everton
Liverpool – Jürgen Klopp contratou Wirtz para diversificar a criação entrelinhas; sem contribuição direta, o time mantém média de 1,7 gol por jogo, mas carece de variação no último terço contra defesas fechadas.
Imagem: Internet
Manchester United – Erik ten Hag acumula 10,6 finalizações por partida, 12% abaixo da temporada passada. A ausência de gols de Cunha pressiona Bruno Fernandes e Rashford a carregarem a produção ofensiva.
Everton – o time de Sean Dyche, que sofreu com o 3º pior ataque em 2023/24, ainda não encontrou no jovem Barry a profundidade desejada, mantendo índice de apenas 0,9 gol por partida.
O que vem a seguir?
Com o calendário de outubro a dezembro repleto de jogos decisivos — incluindo confrontos diretos entre Liverpool e Manchester United —, a quebra do “jejum 007” pode redefinir não só a confiança individual, mas também o desenho tático de três equipes que lutam por objetivos distintos na tabela. A cada rodada sem gol, cresce o debate sobre possíveis ajustes de sistema ou até movimentações na próxima janela.
Com informações de BBC Sport