Facto principal: Depois de investir cerca de €320 milhões (R$ 1,9 bilhão) na temporada 2025/26, o Arsenal estuda negociar ao menos um jogador de peso no próximo verão europeu para manter-se dentro das regras de Fair Play financeiro da Premier League e da Uefa.
Lead (5W1H): O Arsenal, de Mikel Arteta, considera vender um titular importante — possivelmente até o capitão Martin Ødegaard — no verão de 2026, em Londres, porque o clube precisa equilibrar as contas após um mercado de transferências recorde que somou aproximadamente €320 milhões.
Por que o Arsenal chegou a este ponto?
O clube londrino foi o segundo que mais gastou entre as grandes ligas europeias na temporada 2025/26. Chegaram, entre outros, Martín Zubimendi (€70 mi), Eberechi Eze (€69,3 mi) e Viktor Gyökeres (€67 mi). No entanto, somente Nuno Tavares saiu em definitivo, por €6 mi, e os empréstimos de Jakub Kiwior e Fábio Vieira geram alívio salarial, mas não impactam fortemente o balanço.
As regras atuais da Premier League permitem perdas de até £105 milhões em três anos. Já o novo regulamento da Uefa (Squad Cost Rule) limita gastos com salários + amortizações + comissões a 80 % da receita do clube. Ao optar por reforços caros com contratos longos, o Arsenal aumenta a despesa anual de amortização, pressionando o limite.
Quem pode sair e por quê
1. Jogadores formados na base
Ethan Nwaneri (18) e Myles Lewis-Skelly (19) renderiam lucro contábil integral, já que os custos de formação não entram na folha de amortização.
2. Ativos com valor residual baixo
Gabriel Martinelli (contratado por €8 mi em 2019) e Ben White (€60 mi em 2021) têm boa aceitação no mercado e valor contábil reduzido pelo tempo de contrato já decorrido.
3. Martin Ødegaard
O norueguês entra nos últimos dois anos de vínculo em 2026. Após cinco temporadas, seu valor residual é mínimo. Qualquer oferta superior a €80 mi seria praticamente todo lucro na contabilidade, potencialmente resolvendo a equação de Fair Play de uma vez.
Raio-X financeiro dos Gunners
Investimentos 2025/26: €320 mi
Receitas com vendas permanentes: €6 mi
Balanço estimado de amortização anual: ≈ €60–70 mi*
Imagem: Mark Pain
*Estimativa baseada em contratos médios de 5 anos.
Impacto tático de uma eventual saída de Ødegaard
Desde 2021/22, Ødegaard ocupa o papel de mezzala/armador no 4-3-3 de Arteta, responsável por:
- Condução entrelinhas e passes verticais (média de 2,3 passes chave por jogo na Premier League 2023/24, dados FBref);
- Pressão pós-perda: 18,4 ações de pressão a cada 90 min, sendo top-10 entre meio-campistas ofensivos;
- Aproximação em triângulos com Bukayo Saka pelo lado direito, fundamental para liberar o ponta inglês em situações de 1 contra 1.
Sem Ødegaard, Arteta teria de:
- Reposicionar Kai Havertz como interior direito ou
- Dar mais minutos a Emile Smith Rowe, ainda em processo de recuperação de sequência física, ou
- Ir ao mercado — o que, paradoxalmente, voltaria a pressionar o balanço.
Projeção para o fim da temporada e janela de 2026
Com o Arsenal disputando título da Premier League e fases finais de Champions, os ganhos de premiação podem amenizar parte do déficit, mas dificilmente anulá-lo. Caso a receita de competições e TV não cubra a diferença, a venda de um ativo de grande valor — possivelmente Ødegaard — torna-se o cenário mais plausível.
Conclusão prospectiva: A decisão sobre quem sairá deve ocorrer antes de 30 de junho de 2026, data de corte para o relatório financeiro da temporada. Até lá, cada gol marcado e cada ponto somado não servirá apenas para a classificação, mas também para valorizar o elenco e aliviar um dilema contábil que pode sacrificar o líder técnico e simbólico do projeto de Mikel Arteta.
Com informações de Trivela