Manchester — Entre janeiro e fevereiro de 2026, o Manchester City disputou nove partidas em casa, vendeu mais de 440 mil ingressos de admissão geral, avançou em quatro competições, mas mesmo assim viu setores visivelmente vazios em quatro jogos no Etihad Stadium. O contraste acendeu o alerta: políticas de ingressos, calendário apertado e mudanças no perfil dos torcedores estão começando a afetar a ocupação de um dos estádios mais vitoriosos da última década.
Calendário recorde pressiona bolso e agenda do torcedor
Desde a virada do ano, o City encarou a sequência caseira mais congestionada em dez anos. Foram nove jogos em 60 dias, média de uma partida a cada 6,6 dias no Etihad. Apesar do sell out virtual na Premier League (mais de 99% dos lugares), partidas de menor apelo — como a semifinal da Copa da Liga já encaminhada, o “dead rubber” da Champions frente ao Bodo/Glimt e duelos iniciais da FA Cup — registraram clarões nas arquibancadas.
O fenômeno não é novo. Em 2025, protestos e walkouts forçaram o clube a congelar o preço dos carnês e reduzir categorias de ingressos avulsos. A medida freou o aumento, mas não atacou problemas estruturais: custo total de ida ao estádio, horários remanejados pela TV e desgaste do torcedor que já presenciou a equipe erguer todos os troféus recentemente.
Raio-X das novas políticas de ingressos
- Realocação de 500 lugares: torcedores do North Stand perderam assentos para a criação de área de hospitalidade, gerando protestos.
- Quota mínima de presença: cada sócio precisa comparecer pessoalmente a 10 jogos para garantir renovação do carnê.
- Restrição de repasse: o titular agora só pode transferir o bilhete a contatos pré-designados, dificultando trocas de última hora.
- Custo do “membership”: a adesão de £35 (cerca de R$ 220) obrigatória para comprar ingressos ocasionais tornou-se um peso extra para o torcedor casual.
Como isso afeta a atmosfera no Etihad?
A meta do clube era combater a revenda irregular e melhorar a segurança — principais queixas apontadas na pesquisa do grupo 1894, que ouviu 3 mil torcedores. No entanto, o resultado imediato tem sido filas virtuais para revender tickets ao próprio City e cadeiras vazias quando o repasse não acontece. Big Steve, torcedor influente nas mídias oficiais do clube, classificou a nova regra como “literalmente impossível” para quem quer doar ingressos a amigos ou familiares.
O desgaste já se reflete em números: mais de 200 entrevistados no mesmo levantamento consideram desistir do season ticket em 2027. Para um estádio que planeja expandir o North Stand e adicionar cerca de 6 mil lugares permanentes, a apatia é risco real.
Imagem: Internet
Contexto comparativo: City x rivais da Premier League
- Preços: o ingresso mais caro no Etihad em 2026 custa £60; no Arsenal, um bilhete pode chegar a £168.
- Jogos em casa na temporada: o City já realizou 21 partidas no Etihad; o Manchester United, 19 em Old Trafford.
- Capacidade: Etihad hoje abriga cerca de 53,4 mil torcedores; a expansão projetada deve levar o total a aproximadamente 60 mil.
Impacto futuro na estratégia do clube
Entre março e maio, o City disputará a “fase quente” da temporada: quartas de Champions, reta final da Premier League e possíveis decisões de copas. Historicamente, demanda e atmosfera melhoram com clima ameno e peso dos jogos. Ainda assim, a diretoria corre contra o tempo para calibrar preços de 2026/27, flexionar regras de transferência de ingressos e evitar que o torcedor local se afaste justo quando 6 mil novos assentos chegarem.
Conclusão prospectiva: se nas próximas semanas o City conseguir ajustar suas políticas e reconectar-se à base local, o Etihad seguirá sendo um ativo decisivo em mata-matas continentais. Caso contrário, as cadeiras vazias vistas em janeiro podem se tornar frequentes, mesmo com Pep Guardiola lutando por mais títulos.
Com informações de Manchester Evening News