Belo Horizonte (MG) – Atlético e Juventude empataram sem gols na noite de terça-feira (30), na Arena MRV, em duelo válido pela 26ª rodada do Brasileirão. O resultado mantém o Galo na 13ª posição, com 29 pontos, e deixa o time gaúcho em 17º, primeiro dentro da zona de rebaixamento, com 23. O confronto foi marcado por ampla posse de bola alvinegra, mas pouca efetividade na hora de concluir.
Desfalques forçam Sampaoli a testar linha de três zagueiros
Sem peças importantes – nomes como Guilherme Arana, Hulk e Paulinho seguem fora – Jorge Sampaoli armou o Atlético em um 3-4-3. Lyanco centralizou a defesa, com Iván Román e Vítor Hugo pelos lados, enquanto Scarpa e Caio atuaram como alas. A ideia era ganhar superioridade na saída de bola e liberar os alas para criar amplitude. Na prática, porém, o trio de zaga pouco foi exigido defensivamente e acrescentou pouco ao jogo de construção.
Mapa do jogo: posse sem profundidade e bolas paradas como principal arma
Com 67 % de posse, o Galo trocou 644 passes (elevado volume, mas 89 % de acerto), porém só finalizou uma vez na direção do gol de Jandrei. As melhores ocasiões vieram em cobranças de falta de Scarpa, que resultaram em duas bolas na trave de Rony. Em organização ofensiva, o time encontrou a habitual linha de cinco jaconeira, sofre para circular a bola por dentro e abusou dos cruzamentos – 25 no total, segundo dados do Footstats.
Juventude aposta na contenção e segue vivo na briga contra o Z-4
O técnico Roger Machado repetiu a estratégia que tem rendido pontos fora de casa: bloco baixo, três zagueiros e transição direta quando recupera a bola. Foram apenas seis finalizações, duas no alvo, mas suficientes para levar perigo com chutes de Igor Formiga e Alan Ruschel. O ponto conquistado fora de casa mantém o clube a uma vitória de deixar a zona de rebaixamento.
Raio-X da partida
- Posse de bola: Atlético 67 % x 33 % Juventude
- Finalizações: Atlético 13 (1 no alvo) x 6 (2 no alvo) Juventude
- Total de passes: Atlético 644 x 244 Juventude
- Público: 26.567 torcedores
- Renda: R$ 808.746,68
- Cartões: seis amarelos; Lyanco suspenso para o próximo jogo
O que o 0–0 representa na tabela
O Atlético desperdiça a chance de se aproximar do bloco que hoje garante vaga na próxima CONMEBOL Sul-Americana. Já são quatro jogos seguidos da equipe mineira sem vencer em casa, sequência que ajuda a explicar o aproveitamento de apenas 37 % como mandante – o 15º do campeonato. O Juventude, por sua vez, chega a 23 pontos e encurta a distância para o 16º colocado, entrando na próxima rodada com possibilidade real de deixar o Z-4.
Imagem: Pedro Souza
Próximos passos: ajustes antes de encarar o Fluminense
Sampaoli terá apenas três sessões de treino antes do duelo com o Fluminense, sábado (4), no Maracanã. Sem Lyanco, suspenso, a tendência é o retorno ao sistema com quatro defensores. A comissão estuda a utilização de Gabriel Menino na armação, deslocando Scarpa para a faixa esquerda, na tentativa de dar mais criatividade ao meio-campo que, nas últimas três partidas, produziu somente quatro finalizações certas.
Conclusão prospectiva: O empate evidenciou que o problema do Atlético não está na posse, mas na transformação dessa posse em superioridade numérica próxima da área. A próxima rodada diante do Fluminense – equipe que gosta da bola – deve oferecer um cenário diferente, em que o Galo poderá explorar contra-ataques. A resposta ofensiva que Sampaoli conseguir encontrar até lá pode definir se o time mira a parte de cima da tabela ou se passará a olhar com apreensão para o bloco intermediário.
Com informações de Fala Galo