Quem: Clube Atlético Mineiro
O quê: Anunciou que deixará a Libra e retornará à Liga Forte União (LFU)
Quando: Manhã de terça-feira, 29 de outubro de 2025
Onde: Comunicado oficial divulgado em Belo Horizonte
Por quê: Segundo o clube, para “contribuir decisivamente para uma liga unificada que promova equilíbrio competitivo, crescimento dos clubes e sustentabilidade financeira”.
Por que o Galo trocou de bloco novamente?
Fundador da então Liga Forte Futebol em 2022, o Atlético-MG assinou com a Libra em julho de 2023 buscando previsibilidade de receita. Dois anos depois, o cenário de fragmentação das ligas levou a diretoria alvinegra a rever a estratégia. A LFU agrega hoje 33 clubes — 11 da Série A — e se apresenta como bloco com governança mais horizontal. O presidente atleticano reconhece que “clubes da mesma competição são interdependentes” e cita a necessidade de cooperação como fator decisivo.
Como ficam os contratos de mídia até 2029
Apesar do retorno à LFU, o Galo confirma que cumprirá integralmente o contrato de direitos de transmissão já assinado com a Libra, válido até dezembro de 2029. Na prática, isso significa que:
- As receitas negociadas na Libra permanecem até o fim do ciclo — evitando multa ou litígio.
- A entrada na LFU se dá em caráter político-estratégico, preparando o clube para um possível arranjo de liga única a partir de 2030.
Para viabilizar a operação, a Sports Media Entertainment comprará parte dos direitos econômicos do Atlético relativos ao Brasileirão. Os percentuais e valores não foram divulgados, mas a venda de fatia antecipada costuma injetar capital de giro imediato, mantendo fluxo de caixa para futebol e infraestrutura.
Raio-X: Libra x Liga Forte União
Modelo de distribuição proposto (ciclo 2025-2029)*
- Libra: 40% igualitário + 30% audiência + 30% performance.
- LFU: 45% igualitário + 30% audiência + 25% performance, com teto de 3:1 entre o maior e o menor recebido.
*Percentuais citados em documentos públicos de 2024.
Governança
Imagem: Internet
- Libra: decisões por maioria simples das ações; investidores externos têm assento no conselho.
- LFU: um clube, um voto; blindagem maior para investidores não terem controle.
Impacto financeiro projetado para o Atlético-MG
Usando como referência o faturamento de TV do Galo em 2024 (cerca de R$ 180 milhões), especialistas estimam que o modelo da LFU poderia elevar a cota fixa em até 8%, mas reduzir a parcela variável baseada em audiência. Em contrapartida, a venda parcial de direitos à Sports Media Entertainment up-front pode gerar caixa imediato superior a R$ 150 milhões, valor decisivo para equilibrar as finanças após investimentos em Arena MRV e elenco.
O que acontece a partir de agora
O movimento do Atlético amplia a pressão para que Libra e LFU negociem convergência antes do início do ciclo 2026-2029, já que um dos clubes de maior torcida do país passa a transitar nos dois universos:
- Para a LFU: a entrada do Galo reforça o bloco no Conselho Técnico da CBF, aumentando poder de voto.
- Para a Libra: a saída política de um ex-fundador expõe a necessidade de ajustes de governança para evitar evasões de outros membros.
- Para o mercado: emissoras e streamings acompanham a formação de uma liga única, condição considerada vital para atrair acordos acima de R$ 4 bilhões no próximo ciclo.
Próximos passos: o contrato com a Sports Media Entertainment depende de “condições precedentes” e aprovação interna. Ao mesmo tempo, LFU e Libra têm reuniões agendadas na CBF em dezembro para discutir calendário, fair play financeiro e modelo unificado de licenciamento de marcas.
Em síntese, o retorno do Atlético-MG à LFU reaquece o debate sobre a unificação das ligas e adiciona um componente financeiro relevante à discussão. A forma como os blocos irão acomodar contratos vigentes até 2029 será determinante para a configuração dos direitos de TV do Brasileirão na próxima década — e para o poder de investimento dos clubes no curto prazo.
Com informações de NetVasco