Belo Horizonte, 10 de junho de 2024 – O Atlético-MG entrou com recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) após ser condenado pela FIFA a pagar pouco mais de €2 milhões ao Nottingham Forest pela contratação de Gustavo Scarpa, anunciada em dezembro de 2023. Enquanto o processo aguarda manifestação do clube inglês e da própria FIFA, qualquer punição – incluindo um eventual transfer ban – fica automaticamente suspensa.
Entenda a decisão da FIFA e o que diz o recurso do Atlético
O litígio foi julgado em primeira instância pelo Football Tribunal da FIFA em 14 de julho de 2023. A decisão estabeleceu um prazo de 45 dias para o pagamento da indenização, sob pena de proibição de registrar novos atletas. O Atlético contesta o valor e a obrigação de pagamento, argumentando que a rescisão de Scarpa com o Forest ocorreu por mútuo acordo antes de sua assinatura com o clube alvinegro. Nos termos do regulamento da FIFA, a apelação ao CAS suspende automaticamente a execução da sentença até o julgamento final.
O que é transfer ban e quando ele pode ser aplicado
O transfer ban é uma sanção disciplinar que impede o registro de novos jogadores, nacionais ou estrangeiros, por até três janelas de transferências. Ele só é aplicado quando a parte condenada não cumpre uma ordem de pagamento transitada em julgado. Como há recurso pendente, o Atlético segue liberado para inscrever reforços no Brasileirão, na Libertadores e na Copa do Brasil.
Por que o Nottingham Forest cobra a indenização
A equipe inglesa alega que Scarpa ainda tinha vínculo vigente e que a rescisão ocorreu sem o pagamento de cláusula compensatória. O valor pedido – pouco mais de €2 milhões – se refere a salários restantes e eventuais bônus já previstos em contrato. Essa disputa ganha relevância em um contexto de maior fiscalização da FIFA sobre transferências internacionais envolvendo jogadores em litígio contratual.
Raio-X de Gustavo Scarpa no Atlético
- Contrato: assinado até dezembro de 2026.
- Partidas em 2024: mais de 30 jogos entre Campeonato Mineiro, Copa do Brasil, Libertadores e Série A.
- Participação direta em gols: lidera o elenco em assistências na temporada, segundo dados de SofaScore.
- Função tática: atua como meia-atacante pelo lado esquerdo, mas também pode ser utilizado centralizado em linhas de 4–2–3–1 e 4–3–3, oferecendo variação de último passe e bola parada.
Impacto do processo na estratégia de mercado do Galo
Embora a sanção esteja suspensa, o Atlético mantém cautela financeira. O clube ainda monitora o mercado para reforçar a lateral direita e o setor ofensivo, mas deve priorizar negociações por empréstimo ou oportunidades de baixo custo até a decisão do CAS. Uma condenação definitiva exigiria desembolso imediato ou a perda do direito de registrar atletas, o que poderia comprometer o planejamento para 2025.
Próximos passos: a partir da entrega das contrarrazões de Nottingham Forest e FIFA, o CAS deve marcar audiência em Lausanne. Normalmente, o trâmite leva de quatro a seis meses. Até lá, o Galo poderá registrar jogadores na janela de julho e, a princípio, também na abertura de 2025, salvo decisão liminar em sentido contrário.
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Se confirmado pelo CAS, o pagamento de €2 milhões corresponderia a cerca de R$11,7 milhões (cotação de R$5,85), quantia que supera a folha salarial mensal do futebol profissional do clube. Além do impacto em caixa, haveria reflexos no fair play financeiro interno aprovado pelos 4 R’s (Rubens, Rafael, Ricardo e Renato) – os principais investidores privados do Atlético.
Conclusão – o que observar nos próximos meses
O recurso ao CAS dá ao Atlético-MG o tempo necessário para planejar suas finanças e manter ativa a busca por reforços na janela do meio do ano. Porém, o desfecho do processo ainda pode pressionar o orçamento e influenciar diretamente a montagem do elenco para 2025. Até lá, cada passo no mercado será acompanhado de perto, pois qualquer investimento precisa considerar a possibilidade de um pagamento milionário ou de restrição de registros no curto prazo.
Com informações de Fala Galo