Salvador (BA), 18 de fevereiro de 2026 – O meia Éverton Ribeiro, 37 anos, reaparece como peça-chave do Bahia depois de ter se submetido a uma cirurgia para retirada de um câncer de tireoide em outubro de 2025, procedimento que o afastou temporariamente dos gramados e o deixará de fora apenas do jogo de ida contra o O’Higgins, na 2ª fase da CONMEBOL Libertadores, por suspensão.
O antes e o depois: o que mudou desde o diagnóstico
Em 7 de outubro de 2025, exames de rotina realizados pelo departamento médico do Bahia detectaram o tumor. O camisa 10, que vinha de 27 partidas consecutivas na temporada, passou imediatamente pela cirurgia e, segundo os próprios médicos do clube, recebeu alta em tempo recorde para um atleta profissional: pouco menos de dois meses de recuperação até retomar treinos leves com bola.
Embora seu estilo de jogo – baseado em inteligência de posicionamento e passes de ruptura – não dependa exclusivamente de explosão física, o período de inatividade gerou dúvidas sobre o ritmo competitivo. Nos quatro compromissos em que já atuou desde o retorno, o meia somou uma assistência decisiva – o cruzamento milimétrico para Luciano Juba na vitória sobre o Vasco, pelo Brasileirão – e manteve taxa de acerto de passes superior a 90% segundo o departamento de análise do Tricolor.
Raio-X de Éverton Ribeiro
Principais títulos da carreira
– Bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro (2013 e 2014)
– Campeão da CONMEBOL Libertadores pelo Flamengo (2019)
– Tricampeão da CONMEBOL Recopa (2019, 2020, 2022)
Números de carreira (até fevereiro/2026)
– 614 jogos como profissional
– 79 gols
– 153 assistências
– 22 aparições pela seleção brasileira (1 gol)
Onde ele encaixa no modelo de jogo de Rogério Ceni
Com o Bahia atuando no 4-3-3 que prioriza alto volume de posse (média de 55% no Brasileirão 2025), Éverton Ribeiro opera como interior pelo lado direito. A função pede leitura para flutuar entre as linhas, criar superioridade numérica e acionar o ponta Cauly em profundidade. A tendência é que o veterano passe a alternar minutos com Biel para controle de carga física, mas, em jogos eliminatórios, Ceni sinaliza que o camisa 10 permanece como referência criativa.
Imagem: Internet
Impacto imediato na Libertadores
Pela suspensão herdada da Sul-Americana de 2025, Éverton Ribeiro desfalca o Bahia no Chile, mas a projeção interna é contar com o meia no confronto de volta, na Arena Fonte Nova, onde o time tem 73% de aproveitamento como mandante em mata-matas desde 2024. Com ele em campo, a equipe registra média de 2,1 grandes chances criadas por jogo – sem ele, cai para 1,4 –, dado que reforça a importância do veterano para quebrar defesas postadas.
O fator emocional e a política interna do clube
A renovação até dezembro de 2026, apalavrada antes mesmo da operação, serviu como sinal público de confiança da diretoria na recuperação do atleta. Internamente, o episódio levou o Bahia a rever protocolos de exames periódicos de todos os grupos etários do elenco, ampliando a bateria de check-ups para atletas da base. Para Ceni, ter um líder que passou por situação limite fortalece o discurso de resiliência na busca pela primeira quartas-de-final de Libertadores da história do clube.
Conclusão prospectiva: a rápida volta de Éverton Ribeiro não apenas devolve ao Bahia seu cérebro criativo, mas também injeta um componente anímico raro de medir em números. Caso confirme a classificação diante do O’Higgins e mantenha o ritmo projetado, o camisa 10 tem tudo para ser o diferencial que faltava ao Tricolor de Aço na corrida por vagas diretas na próxima edição da competição continental — e a narrativa de superação deve seguir impulsionando o engajamento da torcida nas próximas rodadas.
Com informações de ESPN Brasil