Rio de Janeiro, 09/11 — Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo, voltou a criticar o formato do Campeonato Brasileiro nesta quinta-feira (9). Em declarações públicas, o dirigente apontou a ausência de um diretor de competições e a falta de critérios unificados para arbitragem como gargalos que impedem a profissionalização da liga.
Por que o formato atual incomoda o Flamengo?
Bap questiona a estrutura centralizada da competição e a inexistência de um board técnico independente. Segundo ele, “não há como organizar o Brasileirão sem um diretor de competições”, função que hoje está pulverizada entre CBF e comissões temporárias. O Flamengo, maior receita operacional do país (R$ 1,1 bilhão em 2022, de acordo com o balanço do clube), defende um modelo de liga nos moldes europeus, no qual:
- Gestão esportiva e comercial ficam sob a mesma entidade.
- Clubes definem fair play financeiro, calendário e direito de transmissão em bloco.
- Decisões técnicas (arbitragem, regulamento) são tomadas por profissionais contratados, não por dirigentes.
Raio-X da disputa: Libra x LFF
O impasse sobre a criação de uma liga é dividido em dois blocos:
- Libra — liderada por Flamengo, Corinthians e Palmeiras, concentra cerca de 40% da audiência de TV do Brasileirão (Kantar Ibope 2022).
- Liga Forte Futebol (LFF) — reúne clubes como Athletico-PR, Fluminense e Internacional, defendendo distribuição mais linear das receitas.
O ponto crítico mencionado por Bap é a incapacidade dos clubes em “dividir R$ 70 ou R$ 80 milhões por ano”, valor que corresponde à diferença de cotas de TV entre equipes nas últimas temporadas. Para o dirigente, essa divergência financeira contamina também a escolha de árbitros, gerando conflitos entre cartolas a cada rodada.
Arbitragem no centro do debate
O Flamengo contesta publicamente decisões do VAR e já protocolou pedido de anulação de partidas em 2023. Bap defende um corpo de profissionais neutros para escalar árbitros, citando exemplos da Premier League e da La Liga, onde comissões independentes definem escalas com antecedência mínima de cinco dias. O dirigente argumenta que a adoção de fair play regulatório reduziria pressões políticas e aumentaria a previsibilidade técnica do campeonato.
Próximos passos: Botafogo x Flamengo como teste de tensão
No domingo, 15 de outubro, o Flamengo visita o Botafogo no Estádio Nilton Santos, às 19h30. O clássico colocará frente a frente:
Imagem: Internet
- Um Botafogo que lidera a tabela e tenta manter a consistência defensiva.
- Um Flamengo que busca encurtar distância para o topo enquanto pressiona por mudanças estruturais na liga.
Além dos três pontos, o jogo tende a amplificar o debate sobre arbitragem. Qualquer lance polêmico servirá de munição para o discurso rubro-negro a favor de uma governança profissional e regras claras.
Conclusão prospectiva: A crítica de Bap reforça a tese de que o Brasileirão precisa acelerar sua transição para um modelo de liga independente. Se o impasse administrativo persistir, a tendência é de intensificação dos litígios — dentro e fora de campo —, impactando calendário, cotas de TV e, sobretudo, a credibilidade da competição. Os próximos capítulos, especialmente nas rodadas decisivas de outubro e novembro, indicarão se os clubes conseguem convergir para um acordo ou se a fragmentação do futebol brasileiro ganhará um novo capítulo.
Com informações de netfla.com.br