Porto Alegre, 02/12/2025 – Em entrevista concedida ao jornalista Filipe Gamba nesta semana, o ex-volante Souza (Grêmio 2012-2013) afirmou que uma “briga de ego” entre o técnico Renato Portaluppi e o meia Zé Roberto minou a harmonia do elenco gremista durante a temporada 2013, quando o clube terminou vice-campeão brasileiro e foi eliminado nas oitavas de final da Conmebol Libertadores.
O início do atrito: liderança dividida no vestiário
De acordo com Souza, a rotina de orações lideradas por jogadores como ele e Zé Roberto foi interrompida assim que Renato reassumiu o comando em julho de 2013. O treinador, segundo o ex-volante, enxergava no experiente meia – titular da Seleção na Copa de 2006 – um foco de influência que poderia rivalizar com sua própria liderança. O corte dessas atividades marcaria o ponto de tensão que, na visão do ex-jogador, impactou a coesão do grupo.
Repercussão em campo: menos criatividade, mais volantes
Sob o comando de Renato naquele ano, o Grêmio frequentemente optou por uma formação com três volantes, deixando Zé Roberto no banco em partidas nas quais a torcida clamava por maior criatividade. Souza cita empates na Arena como exemplos de perdas de ponto atribuídas à falta de um articulador: “Faltava criação para o time. Às vezes empatando em casa e ele não botava o Zé”, relembrou.
Raio-X estatístico do Grêmio 2013
• Classificação final do Brasileirão: 2º lugar, 65 pontos (19V-8E-11D)
• Gols marcados: 50 (10º melhor ataque)
• Gols sofridos: 36 (2ª defesa menos vazada)
• Libertadores: eliminado nas oitavas de final pelo Independiente Santa Fe (3-2 no agregado)
• Participação de Zé Roberto: 26 jogos oficiais na temporada*, alternando entre titular e reserva após a chegada de Renato.
*números compilados a partir do site oficial da CBF e de registros da Conmebol
O impacto tático: por que a ausência de Zé Roberto pesou
Entre 2012 e o início de 2013, Zé Roberto atuava como meia pela esquerda em um 4-2-3-1 que maximizava sua capacidade de reter posse e acelerar o jogo em transições. A substituição progressiva do veterano por mais um volante deslocou a responsabilidade criativa para Elano, sobrecarregando o lado direito e tornando o time previsível. Dados da época indicam que o índice de posse no terço final caiu de 29% no primeiro semestre para 23% entre agosto e novembro.
Por que o bastidor de 2013 volta à pauta em 2025?
Renato Portaluppi segue no comando do Grêmio em 2025, ano em que o clube volta a disputar a Libertadores após a quarta colocação no Brasileirão anterior. A lembrança trazida por Souza serve de alerta: a gestão de grandes lideranças internas continua sendo fator crítico em elencos com múltiplas referências, como o atual grupo que conta com Geromel, Kannemann, Villasanti e o recém-chegado meia argentino Franco Cristaldo.
Imagem: Lucas Uebel
No curto prazo, a repercussão da entrevista pode pressionar Renato a reforçar mecanismos de participação coletiva – conselho de atletas, rodadas de feedback e divisão clara de responsabilidades – evitando repetir um cenário que, segundo quem viveu por dentro, custou metas ambiciosas há 12 temporadas.
Conclusão prospectiva: Se o Grêmio souber transformar a lição de 2013 em política de vestiário para 2025, poderá preservar a solidez defensiva característica de Renato sem abrir mão da criatividade que decide mata-matas continentais. O tema deve ganhar novos capítulos na pré-temporada, quando o clube confirmará contratações e definirá a hierarquia técnica do elenco.
Com informações de Portal do Gremista