São Paulo, 17 de outubro de 2025 — A Comissão de Justiça do Corinthians deve concluir em até 30 dias o relatório que apura se o ex-presidente e conselheiro vitalício Andrés Sanchez violou o estatuto do clube no uso de cartões corporativos entre janeiro e julho de 2018. O parecer, elaborado no Parque São Jorge, será encaminhado à recém-empossada Comissão de Ética, presidida por Leonardo Pantaleão, e pode resultar em votação no Conselho Deliberativo.
Como o processo interno avança no Parque São Jorge
A investigação corre paralelamente à denúncia do Ministério Público de São Paulo por suposta apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento. Dentro do clube, contudo, o foco é exclusivo em possíveis infrações estatutárias, não em tipificação criminal. Para evitar contestações, os conselheiros imitam o rito do “caso Augusto Melo”, que consumiu um ano até chegar à etapa decisiva.
Blindagem contra pressões: lições do caso Augusto Melo
Fontes ouvidas pelo portal revelam preocupação em blindar o processo de pressões políticas internas e externas. A hesitação vista no passado, quando o ex-presidente Augusto Melo foi afastado, serviu de modelo: cronograma claro, acesso restrito a documentos e nenhuma divulgação parcial de depoimentos.
Raio-X das acusações: do MP às possíveis infrações estatutárias
Documentos analisados: extratos completos de cartões corporativos, inclusive um cartão American Express de uso não exclusivo da presidência.
Período em foco: janeiro a julho de 2018.
Tipos de infração apurados: uso irregular de recursos do clube, descumprimento de normas de transparência e falta de prestação de contas prevista no artigo correspondente do estatuto corintiano.
Quem já foi ouvido e quem ainda falta depor
Depoimentos colhidos:
– Matias Ávila (ex-diretor financeiro)
– Roberson de Medeiros, o “Dunga” (ex-presidente do CORI)
– Haroldo Dantas (ex-Conselho Fiscal)
Próximos na lista:
– Osmar Basílio (ex-presidente do Conselho Fiscal)
– Guilherme Strenger (ex-presidente do CORI), que já votou contra o envio do caso à Ética.
Impacto institucional e cenário a curto prazo
A tramitação mexe com o tabuleiro político corintiano em ano pré-eleitoral. Qualquer sanção a Andrés — que pode variar de advertência a suspensão de seus direitos no Conselho — tende a influenciar coalizões internas e até negociações de patrocínio, uma vez que o ex-mandatário ainda mantém capital político entre conselheiros e parte da torcida.
Imagem: lavag de dinheiro
Além disso, a Comissão de Justiça já sinalizou que, assim que concluir o parecer de Andrés, abrirá frentes sobre Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo em investigações semelhantes, reforçando um ciclo de escrutínio sem precedentes sobre as finanças do clube.
Próximos passos
1. Entrega do relatório da Comissão de Justiça (até novembro).
2. Análise da Comissão de Ética sob Leonardo Pantaleão.
3. Parecer final enviado a Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo.
4. Votação em plenário para eventual punição.
Se confirmado o calendário, o Corinthians pode encerrar o ano com definições sobre todos os casos de cartões corporativos, estabelecendo novo precedente interno para governança e transparência.
Com informações de ESPN Brasil