Rio de Janeiro, — O argentino Luis Zubeldía, técnico do Fluminense desde setembro, tem levantado cedo e ido dormir tarde no CT Carlos Castilho para acelerar a adaptação ao clube carioca. Bastidores obtidos pelo Globo Esporte mostram que, em apenas seis jogos à frente do time, ele já instituiu uma rotina de alta intensidade, comunicação 100 % em português e análise minuciosa dos adversários.
Imersão cultural e comunicação direta
Logo nos primeiros dias, Zubeldía pediu a funcionários e jogadores que falem com ele apenas em português. O objetivo, segundo pessoas próximas, é evitar “atalhos” linguísticos e compreender nuances do vestiário. Fora das quatro linhas, dedicou-se a conhecer a história do Fluminense e detalhes institucionais do clube, prática que lembra o início de Fernando Diniz nas Laranjeiras.
Metodologia de campo: lousa no centro e correções em tempo real
Os treinos começam oficialmente às 9h30, mas o treinador costuma chegar horas antes para rever o plano de sessão. Já em campo, uma lousa móvel acompanha o grupo do aquecimento à saída. Ele estabelece uma roda de conversa antes de cada atividade, fraciona exercícios para garantir alta intensidade e interrompe a prática sempre que percebe necessidade de ajuste tático.
Presença total no pré-jogo
No dia das partidas, Zubeldía permanece no gramado durante todo o aquecimento, comportamento que caiu bem entre os atletas. Para membros da comissão, a proximidade reforça mensagens-chave de posicionamento e intensidade logo antes do apito inicial.
Raio-X de Zubeldía
- Idade: 44 anos
- Nacionalidade: Argentina (nascido em Santa Rosa, La Pampa)
- Chegada ao Flu: setembro de 2025, após o pedido de demissão de Renato Gaúcho
- Partidas à frente da equipe: 6 (sétima estreia será neste sábado)
- Características marcantes: estudos de adversário no pós-treino, uso constante de quadro tático e comunicação em português no dia a dia
Impacto na performance e próximos desafios
A cobrança por intensidade mira um problema identificado no Brasileirão anterior: o Fluminense sofreu 51 gols em 38 rodadas (média de 1,34), oitava pior marca defensiva. Ao chegar antes dos atletas e revisar treinos após a saída do elenco, Zubeldía busca reduzir erros de posicionamento que geraram espaços entre linhas em 2024. A sétima partida do argentino será teste crucial para medir evolução física e compreensão do modelo de jogo.
Imagem: LUCAS MERÇ
Próximo capítulo: Enquanto procura residência fixa no Rio, Zubeldía pretende manter a rotina estendida no CT. A continuidade desse método poderá influenciar diretamente a consistência defensiva e o rendimento na reta final do Brasileirão, além de servir de base para a montagem do elenco de 2026.
Com informações de Netflu