Quem: jornal argentino La Nación e IFAB.
O que: estudo aponta o Campeonato Brasileiro como a 2ª liga com menos tempo de bola rolando; entidade anuncia medidas contra a perda de tempo.
Quando: pesquisa divulgada em março de 2026, mesmas datas das novas decisões da IFAB.
Onde: comparação envolveu oito campeonatos de América do Sul, Europa e EUA.
Por quê: o alto índice de paralisações — sobretudo por “cera” de goleiros e atendimentos médicos — reduz a fluidez do jogo no Brasil.
Entenda o ranking: onde o Brasileirão perde tempo
De acordo com o levantamento do La Nación, a Série A apresenta apenas 53,3% de tempo de bola em jogo. Isso significa que, em uma partida de 100 minutos (incluindo acréscimos), pouco mais de 53 são dedicados a ações efetivas — o restante é consumido por faltas, reposições, atendimentos ou revisões de VAR.
O índice coloca o Brasileirão atrás apenas da liga argentina, líder negativa com 50,5%. Na outra ponta, a MLS registra 58% de tempo útil. A discrepância de quase cinco minutos por partida em relação aos Estados Unidos pode parecer pequena isoladamente, mas representa quase 1.900 minutos (21 jogos completos) desperdiçados ao longo das 38 rodadas do campeonato brasileiro.
Raio-X das paralisações no Brasil
- Atendimentos a goleiros: responsáveis por até 18% das interrupções, segundo dados da CBF de 2024.
- Lateral e tiro de meta: juntos, somam cerca de 11% do tempo parado — ações que a IFAB agora pretende cronometrar.
- VAR: média de 3,2 revisões por jogo em 2025, cada uma com 1min45s de duração.
O que muda com as novas regras da IFAB
Para coibir o antijogo, a IFAB testará na Copa do Mundo 2026 uma contagem regressiva de 8 segundos para laterais, 15 segundos para tiros de meta e 30 segundos para substituições. Caso o tempo estoure, a bola passará ao adversário ou será marcada falta técnica. A implementação global está prevista para 1º de junho de 2027.
No contexto brasileiro, a medida deve impactar diretamente os goleiros que estendem a reposição após defesa. Estudos internos da CBF indicam que esse comportamento isolado adiciona, em média, 2min30s de paralisação por partida.
Comparativo histórico do Brasileirão
• 2018: 56,4% de bola rolando
• 2020 (temporada afetada pela pandemia): 54,7%
• 2023: 53,9%
• 2025: 53,5%
Tendência: queda de quase três pontos percentuais em sete anos, reforçando a urgência de mudanças.
Imagem: Rodrigo Ferreira
O impacto esportivo e comercial
Menos tempo de jogo afeta não apenas o espetáculo, mas também métricas de desempenho. Clubes que apostam em marcação alta ou posse prolongada — casos recentes de Palmeiras e Fluminense — veem seu volume de ações ofensivas cair quando a bola para. No lado comercial, emissoras relatam maior dificuldade em encaixar janelas publicitárias, pois os acréscimos alongam transmissões além do horário previsto.
Próximos passos: A CBF deve alinhar, até abril, um protocolo de adaptação às regras da IFAB. Se adotado já no segundo turno de 2026, o calendário pode ganhar até 65 minutos úteis extras ao fim da competição, elevando o índice brasileiro próximo dos 56% — patamar atual da Espanha.
Em síntese, o estudo do La Nación escancara um problema crônico no futebol brasileiro: a perda de fluidez. A resposta regulatória da IFAB sugere que a temporada 2026/27 pode marcar o início de jogos mais dinâmicos. Resta acompanhar se clubes e atletas ajustarão rapidamente suas estratégias ou se novas formas de “cera” vão surgir no cenário.
Com informações de Diário Celeste