Brighton & Hove Albion cancelou 285 ingressos revendidos ilegalmente para o jogo contra o Tottenham no Amex Stadium, disputado no último fim de semana, após investigação da BBC expor a atuação de cambistas em larga escala na Premier League.
Como a investigação identificou o problema
Uma reportagem da BBC acompanhou o torcedor sul-coreano James, que viajou 5.500 milhas até Brighton e pagou £900 em um site de revenda não autorizado. Ao tentar entrar no estádio, o bilhete foi recusado porque já estava desativado. Ele não foi o único: outros 100 fãs passaram pela mesma situação naquela tarde.
A partir desse caso, o clube convidou a emissora para acompanhar in loco o trabalho de fiscalização. O resultado: 285 ingressos bloqueados e 12 detentores de season ticket identificados como revendedores, com cancelamento imediato de seus carnês.
Estratégia do Brighton para barrar a revenda
Desde o início da temporada, o Brighton criou o cargo de “ticket investigation officer”, ocupado por Joseph Sells. O profissional opera um software próprio que:
- Analisa padrões de compra (país de origem, forma de pagamento, frequência);
- Atribui nota de risco a cada transação;
- Varre sites secundários em busca de anúncios que mencionem setor, fila e número de assento.
Segundo Sells, o procedimento evitou que cerca de £100 mil chegassem aos cambistas apenas nesse único jogo.
Raio-X do mercado paralelo de ingressos da Premier League
Por que o problema é tão grande?
Imagem: Internet
- A Premier League registra taxa média de ocupação acima de 97% desde 2017/18, aumentando a escassez de ingressos.
- Sites estrangeiros usam bots para comprar tíquetes assim que são liberados, burlando o limite de compra por CPF ou cartão.
- Ingressos podem ser revendidos por até 10 vezes o valor de face. No caso de James, o preço oficial para o setor era de £55.
- A legislação britânica proíbe a revenda não autorizada, mas muitas plataformas se hospedam fora do Reino Unido para driblar a fiscalização.
O que muda para torcedores e clubes daqui para frente
A liga já anunciou a adoção gradual de códigos de barras criptografados e bilhetagem 100% digital, tecnologia inspirada em sistemas de autenticação bancária. A expectativa é:
- Reduzir a clonagem de ingressos físicos;
- Facilitar o rastreamento de quem comprou e de quem transferiu o tíquete;
- Gerar dados em tempo real para ações judiciais contra redes de cambistas.
Para os torcedores, a orientação é clara: comprar apenas nos canais oficiais dos clubes. No caso de bloqueio, o Brighton oferece, quando disponível, lugares de hospitalidade ou de sócios ausentes pelo preço oficial.
Conclusão prospectiva
Com a ofensiva liderada por Brighton e respaldada pela Premier League, a tendência é que cambistas encontrem cada vez mais barreiras técnicas e jurídicas. Já na próxima janela de partidas, torcedores que planejam viajar ao Reino Unido precisam redobrar a atenção: mais clubes devem adotar modelos de detecção antecipada, e o índice de bilhetes bloqueados deve crescer antes de, finalmente, retrair o mercado paralelo.
Com informações de BBC Sport