Por que a CAF anulou vitória de Senegal e declarou Marrocos campeão da Copa Africana de Nações

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Rabat (17/03/2026) — O Tribunal de Apelos da Confederação Africana de Futebol (CAF) reverteu nesta terça-feira o resultado da final da Copa Africana de Nações (Afcon) e declarou Marrocos campeão, ao considerar que a seleção de Senegal abandonou o gramado antes do apito final, infringindo o Artigo 82 do regulamento.

Entenda a decisão: o que dizem os Artigos 82 e 84

O regulamento da Afcon é explícito:

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  • Art. 82 — Qualquer equipe que se recuse a jogar, deixe o estádio ou não compareça é considerada perdedora e eliminada.
  • Art. 84 — A punição automática é derrota por 3 × 0, podendo o Comitê Organizador ampliar as sanções.
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A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) protocolou recurso alegando “abandono de campo” após o técnico senegalês Pape Thiaw ordenar a saída do time nos acréscimos, em protesto contra um pênalti marcado via VAR. O Tribunal acatou o pedido e publicou o novo placar: Marrocos 3 × 0 Senegal.

Como foi a confusão na final

Até os 90+ minutos, o jogo seguia empatado. Aos 92, o volante Idrissa Gueye cabeceou na trave e, no rebote, Ismaila Sarr marcou, mas o árbitro já havia assinalado falta de ataque. Logo depois, o VAR chamou e indicou pênalti de El Hadji Malick Diouf sobre Brahim Díaz. Revoltado, Thiaw retirou sua equipe, embora Sadio Mané permanecesse no campo tentando contornar a situação. Quando o jogo recomeçou, Díaz desperdiçou a penalidade, mas, para a CAF, o abandono já configurava infração.

Raio-X disciplinar: abandono de campo na história da CAF

  • Último caso semelhante em competições continentais havia ocorrido nas Eliminatórias da CAN 2012, quando Serra Leoa abandonou partida contra Nigéria.
  • Na Afcon, esta é a primeira aplicação do Art. 82 em uma final desde a criação do torneio em 1957.
  • Sanções adicionais podem incluir multa e suspensão, conforme precedentes do Comitê Disciplinar da CAF (até US$ 50 mil em casos recentes).

Impacto esportivo imediato

Marrocos soma agora seu terceiro título continental e garante vaga na próxima Liga das Nações Africana como cabeça de chave. A seleção também se credencia a representar o continente no torneio intercontinental de seleções que a FIFA estuda reativar.

Senegal perde a chance de repetir o título conquistado em 2022 e, de acordo com o comunicado oficial, está eliminada “de toda e qualquer fase subsequente” da edição 2026. A Federação Senegalesa (FSF) já anunciou que recorrerá à Corte Arbitral do Esporte (CAS), na Suíça, único foro ainda possível.

Próximos passos e possíveis cenários

O CAS costuma levar de 30 a 60 dias para analisar pedidos de efeito suspensivo. Caso Senegal obtenha liminar, a CAF pode ser forçada a congelar a premiação e adiar a inscrição de Marrocos em competições derivadas. Sem a liminar, a preparação marroquina para a próxima janela FIFA seguirá intacta, enquanto Senegal corre risco de iniciar o ciclo de 2026 sem amistosos reconhecidos pela confederação.

Conclusão prospectiva: Com a confirmação do tapetão, a Afcon 2026 estabelece um precedente disciplinar raríssimo que deve influenciar futuros protocolos de arbitragem e comportamento de banco de reservas. A expectativa agora recai sobre o CAS; a depender da sentença, tanto o calendário africano quanto a reputação disciplinar da seleção senegalesa podem sofrer ajustes significativos nas próximas semanas.

Com informações de Trivela

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