Rio de Janeiro (RJ), 24/11/2025 – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou nesta segunda-feira o calendário completo do futebol feminino para a temporada 2026, antecipando em quase dois meses a publicação em relação ao ano anterior. Sob a gestão de Samir Xaud, a entidade promete mais clubes, mais jogos e cotas de participação turbinadas em todas as divisões.
Por que o anúncio é relevante já em novembro?
Nos últimos anos, o documento chegava às mãos dos clubes apenas em janeiro, encurtando o tempo de planejamento. A antecipação de 2026 oferece sete a oito semanas extras para montagem de elenco, captação de patrocínios e definição de logística — um ponto crítico numa modalidade ainda em expansão de receita.
Números que saltam aos olhos
Série A1
• 16 → 18 clubes (+12,5%)
• 21 → 26 datas (+23,8%)
• 134 → 167 jogos (+24,6%)
• Cota de participação: R$ 360 mil → R$ 720 mil (+100%)
• Premiação: campeão leva R$ 2 milhões; vice, R$ 1 milhão
Copa do Brasil Feminina
• 66 clubes de 26 estados + DF
• Quartas, semis e final passam a ser ida e volta
• 64 → 72 jogos (+12,5%)
• Cotas dobradas em todas as fases
Demais competições (Supercopa, A3, Sub-20 e Sub-17) também registram crescimento de datas e prêmios, além de 100% das partidas transmitidas pelos canais digitais da CBF em A3, Sub-20 e Sub-17.
Impacto esportivo: mais minutagem, elenco maior
Com 33 jogos possíveis na combinação Supercopa + Série A1 + Copa do Brasil, as equipes de elite ganharão até 12 partidas adicionais em comparação a 2025. Na prática, isso exige:
- Elencos de pelo menos 25 atletas para rotacionar e controlar carga física;
- Departamentos de preparação física e fisiologia mais robustos;
- Maior investimento em categorias de base, já que Sub-20 e Sub-17 somam 172 confrontos.
Calendário mais amigável às Datas FIFA
A A1 não terá rodadas na véspera ou no retorno de intervalos internacionais, mitigando conflitos de liberação de jogadoras que defendem seleções estrangeiras — em 2025, nove clubes perderam titulares em pelo menos três jogos por esse motivo.
Imagem: Internet
Inclusão fora de campo: suporte a atletas mães
Pela primeira vez, a CBF bancará despesas de viagem para jogadoras lactantes e seus filhos. A medida segue recomendação da FIFA e pode estimular permanência de atletas experientes que, historicamente, deixavam o país após a maternidade.
Raio-X financeiro: de onde virá o dinheiro?
Segundo apuração com dirigentes presentes na sede da CBF, o incremento de cotas será custeado por:
- Renovação do contrato de naming rights da Série A1, estimado em R$ 35 milhões por triênio.
- Novo pacote de mídia digital que garante ao parceiro exclusividade nos highlights de todas as divisões.
- Redistribuição de parte da receita de apostas esportivas, prevista no novo regulamento de licenciamento de clubes.
Próximos passos para clubes e comissão técnica da Seleção
• Clubes: precisam protocolar estádios até 10/12; lista de inscrição abre em 15/01.
• Seleção Brasileira: a comissão técnica ganhará três janelas inteiras para observação de talentos na A1 antes da Copa América Feminina 2026.
Conclusão: O calendário 2026 reposiciona o futebol feminino nacional em três frentes — competitividade, visibilidade e sustentabilidade financeira. O aumento de jogos cria um laboratório contínuo para a base, enquanto cotas dobradas podem segurar talentos que vinham migrando para ligas estrangeiras. Nas próximas semanas, a atenção se volta ao mercado de transferências: elencos mais extensos serão vitais para quem busca a inédita premiação milionária do Brasileirão.
Com informações de ESPN Brasil