São Paulo (SP), 10.06.2024 – Apenas cinco profissionais conseguiram a façanha de conquistar a Copa Libertadores da América tanto como jogadores quanto como treinadores: Renato Gaúcho, Marcelo Gallardo, Nery Pumpido, Luis Cubilla e Roberto Ferreiro. O dado reforça o peso histórico desses nomes e ajuda a explicar por que erguer o troféu nas duas funções continua sendo um feito para poucos.
Por que o feito é tão raro?
Ganhar a Libertadores como atleta já depende de aspectos como elenco competitivo, momento físico e mental, além de sorte em mata-matas. Repetir o sucesso como treinador exige outra gama de competências: gestão de grupo, leitura tática, adaptação a novos regulamentos e domínio psicológico. A sobreposição dessas duas curvas de excelência explica a exclusividade do grupo.
Quem são os campeões duplos
Confira a lista em ordem cronológica da primeira conquista como atleta:
- Roberto Ferreiro (ARG) – Jogador do Independiente (1964 e 1965); técnico do mesmo clube (1972).
- Luis Cubilla (URU) – Jogador do Peñarol (1960, 1961 e 1966) e do Nacional (1971); treinador do Olimpia (1979 e 1990).
- Nery Pumpido (ARG) – Goleiro do River Plate (1986); treinador do Olimpia (2002).
- Renato Gaúcho (BRA) – Atacante do Grêmio (1983); técnico do Grêmio (2017).
- Marcelo Gallardo (ARG) – Meia do River Plate (1996); treinador do River Plate (2015 e 2018).
Raio-X das conquistas
Número de títulos acumulados
| Profissional | Como jogador | Como técnico | Total |
|---|---|---|---|
| Louis Cubilla | 4 | 2 | 6 |
| Marcelo Gallardo | 1 | 2 | 3 |
| Roberto Ferreiro | 2 | 1 | 3 |
| Nery Pumpido | 1 | 1 | 2 |
| Renato Gaúcho | 1 | 1 | 2 |
Entre eles, Luis Cubilla segue isolado como o maior vencedor em contagem absoluta (seis taças), enquanto Gallardo é o único a vencer como jogador e depois levantar o troféu duas vezes como técnico pelo mesmo clube no formato atual da competição.
O que isso diz sobre liderança e legado?
Ter vencido a Libertadores em campo costuma conferir ao treinador legitimidade imediata no vestiário. No caso de Renato Gaúcho, por exemplo, a memória do título de 1983 foi usada como motivação direta no tricampeonato de 2017, reforçando um discurso de pertencimento para o elenco do Grêmio.
Já Gallardo capitalizou a experiência de 1996 para implementar um modelo de jogo agressivo e mentalmente resiliente, que fez do River um dos protagonistas do continente na segunda metade da década passada.
Imagem: Lucas Uebel
Impacto para as próximas edições
O fato de apenas cinco nomes terem atingido o “doblete continental” estabelece uma referência para técnicos em ascensão que conquistaram a Libertadores recentemente como jogadores, casos de Riquelme (Boca) e Danilo (Palmeiras), ambos cotados para assumir funções técnicas no futuro. A tendência sugere que clubes passem a valorizar ex-atletas vencedores na hora de escolher seus comandantes, de olho não só no conhecimento tático, mas também no peso histórico que eles carregam.
Conclusão prospectiva
Com a expansão de calendários e a exigência crescente por resultados rápidos, a combinação de repertório técnico e liderança simbólica torna-se cada vez mais valiosa. Resta saber quem será o próximo a entrar nesse clube exclusivo — um atrativo adicional que já adiciona narrativa às próximas edições da Libertadores.
Com informações de BandSports