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    ‘Depois do calendário, CBF precisa priorizar arbitragem para melhorar futebol brasileiro’ – Nosso Palestra

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    Quem, o quê, quando, onde e por quê: A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) oficializou recentemente uma reformulação no calendário nacional que passa a valer já em janeiro de 2025; a novidade, porém, expõe outro gargalo estrutural: a arbitragem, alvo de críticas recorrentes por parte de clubes e torcedores devido à repetição de nomes, questionamentos sobre preparo físico e decisões polêmicas.

    O ajuste no calendário e o “efeito cascata” sobre a arbitragem

    A reconfiguração da temporada — com o Campeonato Brasileiro iniciando praticamente no primeiro mês do ano — cria um ambiente de maior previsibilidade para elencos e direitos de transmissão, mas também amplia a carga de trabalho sobre o quadro de árbitros. Em 2024, cada equipe da Série A disputou em média 70 partidas somando estaduais, nacionais e internacionais. Com o calendário comprimido, a tendência é de jornadas ainda mais longas para os juízes, aumentando o risco de desgaste físico e mental.

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    Escalas repetitivas: números que sustentam a insatisfação

    Os dados de 2025 ilustram o problema:

    • Ramon Abatti Abel (SC): 14 jogos no Brasileirão e 22 no total em competições da CBF até aqui.
    • Wilton Pereira Sampaio (GO): 15 atuações na Série A e 21 somadas em torneios nacionais.
    • Anderson Daronco (RS): 16 partidas no Brasileirão, 26 na temporada.
    • Marcelo de Lima Henrique (CE): aposentado como árbitro principal em maio, voltou a campo após apenas duas participações como VAR e apitou o clássico Internacional x Grêmio.

    O excesso de escala compromete a uniformidade de critérios e dificulta a oxigenação do quadro. Além disso, a falta de renovação gera a sensação de “cartel” entre os árbitros, alimentando a desconfiança do público.

    Tecnologia não resolve tudo: o semi-automático de impedimento

    A CBF confirmou a implantação do impedimento semi-automático para 2025, tecnologia já presente em competições da FIFA. O recurso promete reduzir o tempo de análise de lances milimétricos, mas não elimina a necessidade de decisões interpretativas — área onde a formação humana continua decisiva. Sem um corpo de árbitros profissionalizado e avaliado de maneira transparente, o ganho tecnológico pode se diluir em meio a erros de campo ou uso inadequado do VAR.

    Modelo de profissionalização: o que fazem as principais ligas

    Premier League e LaLiga mantêm árbitros com contratos em tempo integral, centros de treinamento exclusivos e métricas objetivas de desempenho. A MLS, nos Estados Unidos, usa avaliação estatística a cada rodada para promoções ou rebaixamentos dentro do quadro. O Brasil, por sua vez, segue com árbitros sem vínculo empregatício fixo, remunerados por jogo. A mudança do calendário seria o gatilho para migrar a categoria da condição de autônoma para profissional, permitindo preparação física contínua, reciclagens táticas e rotina de análise de vídeo pós-jogo.

    Raio-X da temporada: impacto dos erros na tabela

    Estudo interno de clubes da Série A aponta que, em 2024, 28% dos lances revisados pelo VAR tiveram “decisão de campo mantida apesar de erro claro”, segundo relatórios compartilhados com a CBF. Em um campeonato decidido ponto a ponto, um pênalti mal marcado ou um impedimento mal traçado pode alterar vagas em Libertadores, Sul-Americana ou definir rebaixamento.

    O que muda para 2025: prazos e próximos passos

    Janeiro: início do Brasileirão já com o novo calendário.
    Fevereiro: previsão de entrada do impedimento semi-automático.
    Março a maio: período de testes práticos do sistema com aval da FIFA.
    Ano todo: possível fase-piloto de profissionalização parcial, começando pelos árbitros FIFA.

    Se implementadas, essas medidas podem reduzir a repetição de escalas e aumentar a transparência de avaliações, mas dependem de orçamento, sindicato dos árbitros e adesão dos clubes.

    Perspectiva futura: A CBF deu o pontapé inicial ao remodelar o calendário; agora, a bola está no campo da arbitragem. Profissionalização, rotatividade de juízes e uso inteligente da tecnologia serão determinantes para elevar o nível do espetáculo e a credibilidade do futebol brasileiro em 2025 e além. Caso contrário, o ajuste de datas corre o risco de ser lembrado apenas como um remendo que expôs ainda mais um velho problema.

    Com informações de Nosso Palestra

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