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    Salário fixo, quase R$ 200 milhões em investimentos e rebaixamento: CBF apresenta projeto de profissionalização da arbitragem

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    CBF oficializa, nesta terça-feira (27), o Programa de Profissionalização da Arbitragem (PRO), que garante contrato, salário fixo e bônus por desempenho a 72 árbitros e assistentes da Série A a partir de 1º de março de 2026.

    O que muda na prática

    O novo modelo assinado pela Confederação Brasileira de Futebol cria uma “elite do apito” formada por 20 árbitros centrais, 40 assistentes de linha e 12 árbitros de vídeo (VAR). O grupo passará a cumprir rotina diária de treinamentos físicos e teóricos, similar à dos atletas, mas sem cláusula de exclusividade.

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    Entre as novidades mais impactantes está o ranking interno de desempenho, atualizado jogo a jogo e auditado por parâmetros físicos, técnicos e de gestão de partida. Ao fim de cada temporada, pelo menos dois oficiais terão o vínculo rescindido, abrindo vaga para novos nomes e estabelecendo uma espécie de “rebaixamento” anual.

    Os quatro pilares do PRO

    Desenhado em conjunto com 38 clubes das Séries A e B, o programa se sustenta em quatro frentes:

    • Estrutura Geral: contratos via pessoa jurídica, calendário de treinos e avaliações trimestrais;
    • Excelência com a Saúde: suporte médico, nutricional e fisiológico padronizado;
    • Capacitação Técnica: aulas mensais, uso de smartwatch para monitoramento in loco e reciclagem contínua;
    • Tecnologia e Inovação: nova central VAR, implementação escalonada do impedimento semiautomático, refcam e goal-line technology.

    Raio-X do investimento

    R$ 195 milhões serão aplicados no biênio 2026/27, dos quais R$ 44 mi estão reservados a salários fixos e variáveis. O montante supera em R$ 50 mi o gasto de 2024/25, sinalizando salto de 34% nos recursos destinados à arbitragem.

    Estimativas do mercado indicam que um árbitro FIFA pode alcançar cerca de R$ 50 mil mensais entre fixo e bônus, valor ainda não confirmado pela CBF.

    Tecnologia: cronograma e cobertura

    Equipamentos de impedimento semiautomático já começaram a ser instalados em 27 estádios elegíveis da Série A, mas a tecnologia só entrará em operação após rodadas-teste para calibragem de câmeras e softwares. Até o fim da temporada, todas as partidas da elite deverão contar com:

    • VAR de última geração;
    • Impedimento semiautomático;
    • Refcam para imagens de campo;
    • Tecnologia da linha do gol.

    O regulamento geral seguirá permitindo venda de mando a arenas sem o sistema, porém a CBF reserva o direito de veto caso considere o ambiente inadequado.

    Impacto previsto para clubes e competição

    Para os clubes, o novo formato representa maior previsibilidade nos critérios de arbitragem e potencial redução de erros capitais, especialmente com o VAR centralizado. A existência de ranking e bonificação tende a elevar o nível médio de atuação, enquanto a possibilidade de rebaixamento põe pressão objetiva sobre a performance dos juízes.

    Do ponto de vista esportivo, espera-se padronização de critérios disciplinares, item crucial em um torneio de 38 rodadas onde cada cartão ou pênalti pode decidir vaga em Libertadores ou permanência na Série A.

    Próximos passos

    Os contratos devem ser assinados até 26 de fevereiro, permitindo que o modelo entre em vigor em 1º de março. A agenda de governança e transparência, além de eventuais ajustes regulatórios, será discutida em nova reunião ainda em fevereiro.

    Com a profissionalização, a arbitragem brasileira dá um passo inédito que pode refletir diretamente na qualidade do espetáculo em campo e na credibilidade do Campeonato Brasileiro. O comportamento dos índices de erro, dos cartões e da média de faltas nas primeiras rodadas servirá como termômetro inicial para medir o impacto real do PRO na temporada 2026.

    Com informações de ESPN Brasil

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