Rio de Janeiro, 08/05/2024 – A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta quarta-feira que recebeu autorização da FIFA para divulgar os áudios do VAR de todos os lances das partidas, mesmo aqueles que não passam por revisão formal no monitor. A medida entra em vigor imediatamente e visa aumentar a transparência da arbitragem no futebol brasileiro.
O que muda com a autorização da FIFA
Até ontem, o protocolo determinava que apenas lances revisados no vídeo – quando o árbitro era chamado ao monitor – poderiam ter o áudio tornado público. Agora, a CBF poderá publicar também as “checagens silenciosas”, aquelas em que o VAR avalia a jogada, confirma a decisão de campo e não pede revisão.
Na prática, torcedores, clubes e imprensa terão acesso ao processo completo de tomada de decisão, independente de haver ou não revisão. O objetivo, segundo a entidade, é reduzir a desconfiança e aumentar a compreensão sobre como a equipe de arbitragem utiliza o vídeo.
Estopim: o clássico São Paulo x Palmeiras
A discussão ganhou força após o confronto do último domingo (05), no Morumbi. O São Paulo solicitou os áudios do lance em que alegou pênalti não marcado sobre Calleri, além de entradas duras envolvendo Andreas Pereira e Gustavo Gómez que não resultaram em expulsão. Pelo protocolo antigo, o material não poderia ser liberado, pois nenhuma das jogadas passou por revisão de campo. Com a nova regra, a conversa entre o árbitro Ramon Abatti Abel e a cabine de vídeo deverá ser publicada.
Raio-X do VAR no Brasil
- Lançado em 2019 na Série A, o VAR é regido pelo Protocolo FIFA/IFAB.
- Etapas de decisão: checagem automática, recomendação de revisão (quando necessária) e decisão final do árbitro.
- Divulgação de áudios: a CBF foi pioneira na América do Sul ao publicar lances revisados a partir de 2022. A partir de hoje, estende a prática a todas as checagens relevantes.
- Boletins semanais: a entidade manterá a divulgação em seu canal oficial no YouTube e em podcasts, agora com volume maior de material.
Impacto competitivo para clubes e torcedores
Para os clubes, o acesso pleno ao áudio oferece subsídios técnicos em eventuais contestações disciplinares ou estratégicas. Torcedores e jogadores ganham previsibilidade sobre critérios, um ponto sensível em temporadas apertadas como a de 2024, que inclui Brasileirão, Copa do Brasil e competições continentais.
Além disso, a transparência pode influenciar o comportamento dos próprios árbitros. Sabendo que todo diálogo será público, a tendência é de maior rigor na comunicação e na justificação das decisões – componente que pode refletir em menos polêmicas dentro de campo.
Imagem: Internet
Próximos passos e fiscalização
A CBF informou que manterá o prazo atual de até 48 horas para disponibilizar cada compilado de áudios. O material continuará passando por checagem técnica para garantir a integridade dos arquivos e respeitar as diretrizes de privacidade da FIFA.
Entidades como a Comissão Nacional de Arbitragem (CONAF) e o Sindicato dos Árbitros acompanharão a implementação para avaliar se a medida cumpre o objetivo de aumentar a confiança sem expor indevidamente os profissionais.
Conclusão prospectiva: com a decisão, a CBF se antecipa a outras ligas e coloca o Brasileirão num novo patamar de transparência. Nas próximas rodadas, a publicação do áudio de Ramon Abatti Abel será o primeiro grande teste – e deverá balizar a percepção de clubes e torcedores sobre a efetividade da medida.
Com informações de NetFla