Escócia, Haiti, Iraque, Curaçao e Irlanda protagonizaram, entre os dias 17 e 19 de novembro de 2025, algumas das partidas mais emocionantes das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, carimbando vagas – ou mantendo vivas – esperanças que pareciam inalcançáveis. Em comum, os cinco episódios reforçam o porquê de o futebol de seleções continuar gerando narrativas que os torneios de clubes raramente conseguem replicar.
Escócia encerra um jejum de 28 anos
O lateral Kieran Tierney acertou um chute de longa distância já nos acréscimos e garantiu a volta escocesa ao Mundial, algo que não acontecia desde 1998. O gol também ressignifica um setor defensivo que, apesar do homem a mais em campo, sofria para controlar o jogo. A classificação deve trazer tranquilidade para o técnico Steve Clarke, que vinha sendo questionado pela queda de rendimento após a Euro-2024.
Haiti dribla o caos social e faz história
Sem condições de disputar jogos em Port-au-Prince por causa da violência de gangues, a seleção haitiana atuou em campo neutro durante todo o ciclo. Mesmo assim, mostrou consistência tática e conquistou vaga em sua segunda Copa – a primeira foi em 1974. Um feito que evidencia resiliência e organização defensiva: apenas oito gols sofridos em 12 partidas na Concacaf.
Basra vira caldeirão para o pênalti de Al-Ammari
Diante de 60 mil torcedores, Amir Al-Ammari converteu nos acréscimos o pênalti que selou a classificação iraquiana. O meio-campista simboliza a geração que devolve o país a uma Copa após 40 anos (a última participação foi em 1986). Coube ao técnico Jesús Casas reforçar a compactação no 4-2-3-1 e explorar transições rápidas, fórmula que rendeu apenas uma derrota na fase asiática.
Curaçao e o poder dos “160 mil”
Com pouco mais de 160 mil habitantes, Curaçao é agora o menor país já classificado para uma Copa. A equipe de Remko Bicentini apostou em atletas formados nas bases holandesas, implementou defesa em linha alta e terminou a campanha da Concacaf com 69% de posse média, característica rara em seleções de menor porte.
A semana inesquecível de Troy Parrott
O atacante irlandês marcou três gols na última Data FIFA e manteve vivo o sonho de um país ausente do Mundial desde 2002. Mesmo sem a vaga carimbada, Parrott foi tema nas redes ao superar, em engajamento, postagens de astros como Messi e Cristiano Ronaldo, segundo dados da “Social Blade”.
Raio-X das classificações
Última participação em Copas
Escócia: 1998 | Haiti: 1974 | Iraque: 1986 | Curaçao: — (estreia) | Irlanda (em disputa): 2002
Média de gols sofridos nas Eliminatórias
Escócia: 0,75 por jogo | Haiti: 0,66 | Iraque: 0,71 | Curaçao: 0,83 | Irlanda: 1,10
Imagem: Internet
Ranking FIFA – novembro/2025
Escócia: Top 40 | Haiti: Top 70 | Iraque: Top 60 | Curaçao: Top 80 | Irlanda: Top 50
Impacto para a Copa 2026
Os grupos da fase final ainda serão sorteados, mas já é possível antever dinâmicas interessantes:
Escócia tende a equilibrar potes, podendo fugir dos cabeças de chave. Haiti chega como azarão cuja solidez defensiva pode incomodar adversários diretos por vaga. Iraque traz torcida numerosa, fator que costuma elevar rendimento em torneios de tiro curto. Curaçao, tecnicamente limitada, pode capitalizar na bola parada – 38% dos seus gols vieram desse fundamento. Já a Irlanda, caso confirme a vaga via repescagem, adicionará intensidade física a um Mundial que já projeta recorde de 48 seleções.
Com roteiros dramáticos, dados sólidos e implicações táticas claras, as Eliminatórias de 2025 deixam a lição: ainda há espaço para catarse nacional no futebol globalizado. O próximo passo será observar como essas seleções transferem o heroísmo de novembro para a organização coletiva exigida em junho de 2026.
Com informações de ESPN Brasil