Glasgow (Escócia), 10/06/2024 – O chefe de arbitragem da Federação Escocesa de Futebol (SFA), Willie Collum, afirmou que a Scottish Premiership “não tem um problema de mão na bola”, ainda que reconheça que o não-marcador de pênalti para o Livingston contra o Rangers foi um erro claro de arbitragem e de VAR.
O lance que desencadeou a revisão
Aos 63 minutos do empate parcial por 1 a 1 em Ibrox, o chute de Tete Yengi desviou no braço estendido do zagueiro Emmanuel Fernandez, do Rangers. O árbitro de campo deixou seguir, o VAR não interveio e o duelo terminou 2 a 1 para os mandantes. Dias depois, Collum confirmou: “Braço demasiadamente aberto, pênalti claro; precisamos que isso seja identificado em campo ou pela cabine”.
Critérios de mão na bola aplicados pela SFA
Desde 2022/23, a arbitragem escocesa adotou os mesmos parâmetros da IFAB:
- Extensão anormal do braço afastado do corpo;
- Contato que bloqueia remate em direção ao gol;
- Posição natural x aumento da silhueta.
Collum sustenta que, à exceção do lance em Ibrox, as demais decisões recentes seguiram esses critérios, citando:
- Dundee United 2×2 Rangers – toque involuntário de Fernandez após lateral: “não punível”;
- Falkirk x Hearts – bloqueio de Harry Milne com braço colado: “um milhão por cento não é pênalti”;
- Hibernian 1×2 Celtic – mão de Liam Scales: “decisão correta”.
Raio-X: mão na bola e VAR na temporada 2023/24
• Revisões de VAR: segundo a SFA, infrações por mão representam uma das três situações mais analisadas, atrás apenas de impedimentos milimétricos e entradas passíveis de cartão vermelho.
• Pênaltis confirmados por mão: a liga já contabiliza mais de uma dezena de penalidades desse tipo, mas apenas uma foi formalmente classificada como erro pela entidade – exatamente a de Rangers x Livingston.
• Índice de reversão: cerca de 7% das revisões de handball acabam alterando a decisão original do árbitro em campo, patamar semelhante ao observado na Premier League inglesa.
Imagem: Internet
Impacto tabelado: como fica cada lado
O Livingston, que briga para escapar da zona de rebaixamento, perdeu um ponto potencial em Ibrox. Caso o pênalti fosse convertido, poderia ter chegado a 19 pontos, encostando no St. Johnstone. Já o Rangers, em luta direta com o Celtic pelo título, manteve a vantagem e segue dependendo apenas de si. Cada detalhe disciplinar pode ser decisivo num campeonato em que a diferença entre os rivais tem oscilado na casa dos dois a três pontos.
Próximos passos da arbitragem escocesa
Collum indicou que o episódio será usado como “case” nos treinamentos quinzenais de VAR e juízes de campo. A meta é ajustar a comunicação de cabine e reforçar a checagem automática de finalizações bloqueadas por braços abertos. Além disso, a SFA estuda publicar relatórios mensais com lances de maior repercussão para dar transparência ao processo, estratégia já adotada pela UEFA e pela CBF.
Conclusão prospectiva: A admissão de erro pontual reforça a confiança nos critérios atuais, mas também aumenta a vigilância sobre as próximas rodadas. Com a reta final do campeonato se aproximando e disputas acirradas na parte de cima e de baixo da tabela, cada intervenção do VAR ganhará peso redobrado na corrida pelo título e contra o descenso.
Com informações de BBC Sport