Aracaju (SE), 1º de novembro de 2025 — A Associação Desportiva Confiança aprovou por unanimidade, em assembleia geral realizada neste sábado, a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A mudança marca a chegada de Rodolfo Landim, ex-presidente do Flamengo, ao comando da nova estrutura, que prevê injetar R$ 24 milhões nos próximos três anos para reestruturar finanças, infraestrutura e elenco.
Por que a SAF muda o jogo em Aracaju
O modelo de SAF transfere a gestão do futebol para uma empresa independente, permitindo captar recursos privados e separar responsabilidades civis da associação social. Para o Confiança, que convive com passivos acumulados após a queda para a Série C em 2022, a nova configuração possibilita:
- Renegociar dívidas em condições mais favoráveis, evitando bloqueios judiciais que impactam receitas de TV e patrocínios.
- Aumentar a governança, graças a um conselho consultivo e auditorias externas obrigatórias.
- Atrair novos investidores, pois o capital social pode ser negociado sem comprometer o patrimônio da associação.
Plano de investimentos: onde os R$ 24 milhões serão aplicados
Segundo a projeção apresentada por Landim, o aporte será escalonado em três frentes prioritárias:
- Quitação de dívidas (R$ 10 mi) — Eliminação de passivos trabalhistas e fiscais para liberar receitas bloqueadas e recuperar o Certificado de Clube Formador junto à CBF.
- Construção do Centro de Treinamento (R$ 8 mi) — Estrutura com dois campos de dimensões oficiais, departamento de saúde e performance, além de alojamento para as categorias de base.
- Fortalecimento do futebol (R$ 6 mi) — Contratações pontuais, ampliação do departamento de análise de desempenho e implementação de tecnologia de rastreamento GPS.
Raio-X financeiro e esportivo do Confiança
Finanças atuais
- Passivo estimado: cerca de R$ 12 milhões (dados públicos do balanço 2024).
- Receita operacional 2024: R$ 9,7 milhões, sendo 42% oriundos de direitos de transmissão.
Desempenho recente na Série C
- 2023: 12º lugar, fora do quadrangular final.
- 2024: 9º lugar, a dois pontos do G-8.
- Gols sofridos em 2024: 35 em 19 jogos, quarta defesa mais vazada do grupo.
O que muda dentro de campo
A contratação de profissionais especializados e a previsão de melhoria de infraestrutura atacam diretamente as principais lacunas do elenco azulino:
Imagem: Internet
- Defesa fragilizada: a equipe sofreu média de 1,84 gol por partida em 2024. A gestão indica prioridade na busca por zagueiros de imposição física e laterais com melhor índice de interceptação.
- Formação de talentos: com CT e alojamento, o clube pretende dobrar o número de atletas inscritos nos campeonatos sub-17 e sub-20 da FPF-SE até 2027, reduzindo custos de folha no time principal.
- Modelo de jogo: Gustavo Oliveira, integrante da LG2, defende um 4-3-3 apoiado em pressão alta e transições rápidas, alinhado às características históricas do Dragão do Bairro Industrial.
Próximos passos e impacto na Série C 2026
A fase de transição da gestão social para a SAF acontecerá ainda neste mês, com a LG2 assumindo contratos, folha salarial e categorias de base. O Confiança terá até abril para registrar a SAF na CBF e na FERJ, condição para participar da Série C 2026 sob o novo CNPJ. Caso cumpra o cronograma, o clube já poderá alocar parte do investimento na janela de transferências de março.
Perspectiva: Se os desembolsos ocorrerem conforme o plano, o Dragão ganhará fôlego financeiro a tempo de brigar pelo acesso à Série B em 2026. A consolidação do CT e a redução do passivo tendem a entregar um Confiança mais competitivo e autossustentável a médio prazo, cenário que os torcedores acompanharão de perto nos próximos capítulos.
Com informações de NetFla