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    A maioria das federações sul-americanas se opõe à proposta de uma Copa do Mundo com 64 seleções.

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    Quem: sete das dez federações que compõem a Conmebol. O quê: manifestaram oposição formal à proposta de ampliar a Copa do Mundo de 2030 de 48 para 64 seleções. Quando: a resistência ficou evidente após a reunião do Conselho da Fifa de 2 de outubro e ganhou corpo nas últimas semanas. Onde: no âmbito da Conmebol, embora as articulações tenham ocorrido em Nova York e Zurique. Por quê: receio de perda de receita e relevância das Eliminatórias Sul-Americanas, principal ativo comercial das confederações menores.

    Por que a maioria da Conmebol está contra a expansão

    Paraguai, Uruguai e Argentina — países que já receberam de Gianni Infantino a garantia de sediar as partidas de abertura do Mundial do Centenário — lideram o lobby para 64 seleções. As demais federações enxergam interesses particulares no movimento: mais jogos em seus territórios e maior visibilidade política. A ampliação, entretanto, diluiria o peso esportivo das Eliminatórias, hoje responsáveis por contratos milionários de TV e patrocínio para confederações como Bolívia, Equador e Chile.

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    Impacto direto nas Eliminatórias Sul-Americanas

    Atualmente, as Eliminatórias seguem o formato de pontos corridos com 18 rodadas, envolvendo os dez países em confrontos de ida e volta. No modelo de 48 equipes, vigente a partir de 2026, a Conmebol tem direito a 6 vagas diretas e 1 vaga de repescagem. Com 64 seleções, a estimativa sobe para 8 ou 9 vagas, o que reduziria substancialmente a competitividade do torneio qualificatório. Esse cenário ameaça a audiência: sem o suspense da briga por vagas, o valor de mercado dos direitos de transmissão tende a cair.

    Raio-X da proposta: de 48 para 64 seleções

    Quantidade de jogos: salta de 104 (formato 48) para 128 partidas.
    Número de países-sede: continuaria tripartite (Espanha, Portugal e Marrocos) com palcos inaugurais na América do Sul, mas Paraguai, Uruguai e Argentina sugerem realizar toda a fase de grupos no continente.
    Vagas sul-americanas: passariam de 6,5 para até 9.
    Receita adicional estimada pela Fifa: ainda não divulgada oficialmente, mas projeções internas apontam crescimento de dois dígitos na comercialização de mídia global.
    Precedentes de expansão: 24 times em 1982, 32 em 1998, 48 em 2026.

    O posicionamento de outras confederações

    A resistência sul-americana soma-se a declarações públicas de Aleksander Čeferin, presidente da Uefa (“ideia ruim”), e de Victor Montagliani, mandatário da Concacaf (“não soa correto”). Embora o Conselho da Fifa tenha prerrogativa para decidir, o tema sequer entrou em votação na última reunião em Zurique. O cenário indica que Infantino precisará de ampla costura política para levar o plano adiante.

    O que observar nos próximos meses

    O próximo encontro do Conselho da Fifa, previsto para o primeiro trimestre de 2026, deve recolocar a expansão em pauta. Até lá, as federações contrárias pretendem apresentar estudos de impacto econômico das Eliminatórias sem caráter decisivo. Por outro lado, Paraguai, Uruguai e Argentina articulam apoio de confederações da Ásia e da África para formar maioria simples. Caso o projeto avance, o calendário global precisará ser rediscutido, e a Conmebol pode ter de reformular completamente seu modelo de qualificação já para o ciclo 2027-2030.

    Conclusão prospectiva: A divisão interna da Conmebol cria um impasse que transcende o continente e coloca pressão sobre a Fifa na reta final antes do Mundial de 2026. Se a expansão para 64 seleções prosperar, o formato das Eliminatórias, as receitas de televisão e até o calendário dos clubes sul-americanos serão rediscutidos — um desfecho que o torcedor e o mercado de mídia deverão acompanhar de perto.

    Com informações de The Guardian

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