Quem: Governo do México • O quê: anúncio de um efetivo de “pouco mais de 99 000” agentes de segurança • Quando: Copa do Mundo de 11 de junho a 19 de julho de 2026 • Onde: Ciudad de México, Guadalajara e Monterrey • Por quê: conter riscos ligados à recente onda de violência do cartel CJNG e garantir a segurança de milhões de visitantes.
Por que o Plano Kukulkan se tornou prioridade
Nas últimas semanas, o estado de Jalisco viveu confrontos entre o cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e as Forças Armadas mexicanas, desencadeados pela morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, então líder da facção. Os bloqueios em rodovias e a queima de veículos expuseram vulnerabilidades na região que receberá partidas em Guadalajara. Para evitar que o cenário de violência afete a Copa do Mundo de 2026, a presidente Claudia Sheinbaum apresentou o Plano Kukulkan, referência à divindade serpente da cultura maia, articulado em conjunto com a FIFA.
O que está em jogo nas sedes mexicanas
O México será o único país a sediar a Copa do Mundo pela terceira vez — já organizou as edições de 1970 e 1986. Agora, divide o torneio com Estados Unidos e Canadá, mas suas três cidades-sede concentram jogos estratégicos:
- Cidade do México (Estádio Azteca) – partida de abertura entre México x África do Sul e um jogo das oitavas de final;
- Guadalajara (Estádio Akron) – confrontos da fase de grupos, como Espanha x Uruguai, além de possível estreia da República da Irlanda caso avance na repescagem;
- Monterrey (Estádio BBVA) – duelos da primeira fase e dois jogos de 16-avos;
Segundo o Ministério do Turismo, as três metrópoles juntas recebem mais de 20 milhões de visitantes anuais. Durante o Mundial, a estimativa da FIFA é de que esse fluxo se multiplique, elevando a urgência de um esquema de segurança robusto.
Raio-X da operação de segurança
Efetivo total: 99 000+
- 20 000 militares das Forças Armadas
- 55 000 policiais federais, estaduais e municipais
- Demais contingentes: vigilância privada e equipes de apoio
Meios logísticos:
- ≈2 500 viaturas (blindadas e utilitárias)
- 24 aeronaves de patrulha e transporte
- Sistemas antidrone em zonas de exclusão aérea sobre estádios
- Cães treinados para detecção de explosivos e entorpecentes
Custo estimado: não divulgado oficialmente, mas o governo aponta que parte dos recursos vem de fundos já previstos para grandes eventos desportivos.
Imagem: Internet
Indicadores públicos de risco
Dados do Secretariado Executivo do Sistema Nacional de Segurança Pública mostram que o México registrou 29 675 homicídios em 2023, o equivalente a 23,2 ocorrências por 100 mil habitantes. O estado de Jalisco respondeu por cerca de 6% desse total. A redução dessa taxa durante o evento é vista pelo governo como vital para preservar a imagem internacional do país.
Impacto esportivo e logístico
A segurança reforçada não se limita às áreas ao redor dos estádios. Aeroportos, zonas hoteleiras e rotas turísticas — como as regiões de Tequila (próxima a Guadalajara) e a Basílica de Guadalupe (na capital) — serão monitoradas 24 horas por dia. Para as seleções, a operação promete minimizar atrasos em deslocamentos e proporcionar ambiente controlado para treinamentos, algo considerado crítico em um torneio expandido para 48 equipes e 104 partidas.
Próximos passos: a coordenação local aguardará a definição completa das chaves, em dezembro de 2025, para ajustar rotas exclusivas de escolta, enquanto a FIFA acompanhará relatórios bimestrais de segurança. Caso os indicadores de violência não recuem até o segundo semestre de 2024, está previsto um incremento de até 10% no efetivo militar alocado para Jalisco.
Com a implementação do Plano Kukulkan, o México tenta repetir o êxito logístico de 1986, mas agora sob um contexto de segurança interna muito mais complexo. O desempenho dessa operação será determinante não só para a imagem do país, mas também para a confiança de torcedores e patrocinadores nos eventos esportivos de grande porte na América Latina.
Com informações de BBC Sport