Washington, 5 de dezembro de 2025 – Logo após o sorteio da Copa do Mundo de 2026, o técnico Mauricio Pochettino afirmou que a seleção dos Estados Unidos precisa tratar cada duelo da fase de grupos – contra Austrália, Paraguai e o vencedor da repescagem europeia (Turquia, Romênia, Kosovo ou Eslováquia) – “como se fosse a final do Mundial”.
Por que o discurso de “final” importa
Pochettino lembrou que, embora os EUA tenham enfrentado Austrália (vitória por 2 × 1 em outubro) e Paraguai (2 × 1 em novembro) em amistosos recentes, o contexto de Copa do Mundo muda completamente a exigência competitiva. “A realidade é que as circunstâncias vão mudar”, explicou o treinador, citando possíveis elencos diferentes, maior pressão midiática e a atmosfera de torneio eliminatório disputado em casa, algo que o país não vivencia desde 1994.
Raio-X dos adversários e dos confrontos recentes
- Austrália – Derrota australiana por 2 × 1 em Commerce City (out/2025). Seleção oceânica é conhecida pela intensidade física e bolas paradas fortes.
- Paraguai – Novo 2 × 1 americano (nov/2025), jogo que marcou o retorno em alto nível de Gio Reyna à equipe.
- Repescagem europeia – Caso a Turquia avance, carregará moral por ter vencido os EUA por 2 × 1 em amistoso pré-Gold Cup (jun/2025). Romênia, Kosovo e Eslováquia representam estilos diferentes de bloco médio-baixo e contra-ataque.
- Balanço dos três amistosos – EUA: 2 vitórias e 1 derrota, 5 gols marcados e 4 sofridos (saldo +1).
Onde o time ainda precisa evoluir
Pochettino, especialista em blocos de pressão alta desde os tempos de Tottenham, quer transformar o volume ofensivo em maior controle defensivo. Nos últimos 10 jogos oficiais da equipe norte-americana, 60 % dos gols sofridos ocorreram nos 15 minutos finais, mostrando queda de concentração que pode ser fatal em torneios curtos.
O impacto para a preparação até junho de 2026
Com o caminho traçado, o staff da US Soccer planeja um mini-camp em janeiro focado em ajuste de intensidade, seguido por pelo menos dois amistosos contra seleções de perfil similar ao europeu da repescagem. A ideia é replicar cenários de “jogo decisivo” desde agora, reduzindo a lacuna emocional que Pochettino viveu em 2002, quando, segundo ele próprio, entrou em depressão pós-Mundial por não ter outro grande objetivo imediato.
Além do aspecto mental, a comissão avalia integrar jovens como Folarin Balogun e Paxten Aaronson ao elenco principal, apostando em rotatividade para manter alto o nível de competitividade interna – estratégia que o treinador argentino já utilizava no PSG para sustentar foco em fases decisivas da Champions League.
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Perspectiva de médio prazo
Se os Estados Unidos confirmarem a postura “cada jogo é final”, aumentam as chances de liderar o grupo e, assim, evitar um possível reencontro precoce com Bélgica – algo que remete à eliminação de 2014. O próximo teste real será em março, quando o USMNT deve enfrentar um adversário europeu de primeiro escalão em solo americano. Até lá, a palavra de ordem de Pochettino é clara: intensidade competitiva desde o apito inicial, independentemente do nome do oponente.
Com o sorteio definido, resta observar se a mensagem de urgência transmitida pelo treinador conseguirá se refletir em desempenho consistente ao longo do ciclo de preparação. O termômetro virá já nos próximos amistosos; a temperatura final, porém, só será conhecida quando a bola rolar em junho de 2026.
Com informações de The Guardian