New York (EUA) – Portadores de ingressos para a Copa do Mundo de 2026 já podem solicitar atendimento prioritário de visto nos consulados norte-americanos por meio do Fifa Prioritised Appointment Scheduling System (Fifa Pass), liberado nesta terça-feira (20). A medida, anunciada em novembro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca acelerar o processo para estrangeiros que, em condições normais, não conseguiriam horário de entrevista consular a tempo do torneio.
Como funciona o Fifa Pass
O Fifa Pass cria uma janela de atendimento exclusiva para torcedores que comprovem a compra de ingressos. Segundo o Departamento de Estado, o mecanismo deve reduzir o tempo médio de espera para menos de 60 dias em mais de 80% dos países. Apesar da prioridade, cada solicitante ainda passará por “rígida triagem de segurança”, e o agendamento não garante que o visto será aprovado.
Quem faz parte do Visa Waiver Program – que inclui grande parte da Europa, Japão e Austrália – continua isento de visto para estadias de até 90 dias, bastando obter a Electronic System for Travel Authorization (Esta). Para os demais, o Fifa Pass torna-se o principal canal de entrada.
Suspensão de vistos imigratórios impacta 22 seleções
Na semana passada, Washington anunciou a pausa na emissão de vistos de imigração para 75 países. Entre eles, 15 já estão garantidos na Copa (casos de Brasil, Irã, Senegal e Costa do Marfim) e outros sete ainda disputam vagas nas Eliminatórias. A suspensão atinge apenas vistos imigratórios; para turismo e cobertura jornalística, a solicitação continua permitida, mas está sujeita às restrições do travel ban.
O Departamento de Estado reforçou que a exceção criada para atletas, comissões técnicas e familiares não se estende a torcedores. Assim, fãs dos quatro países sob bloqueio total – Haiti, Irã, Senegal e Costa do Marfim – podem ter o visto negado mesmo com Fifa Pass, salvo alterações futuras na política migratória.
Raio-X dos qualificados afetados
- Brasil – 5 títulos mundiais; média de 1,85 gol por jogo nas Eliminatórias; torcida estimada em 70 mil brasileiros nos estádios norte-americanos em 2026.
- Irã – sexto Mundial consecutivo; melhor campanha asiática em 2022 (25 pontos); comunidade iraniana nos EUA é estimada em 400 mil pessoas.
- Senegal – atual campeão da Copa Africana; defesa sofreu apenas 5 gols em 10 partidas qualificatórias.
- Costa do Marfim – retorno ao Mundial após 12 anos; geração tem média de 24,8 anos, a terceira mais jovem entre as classificadas.
O que está em jogo para a organização da Copa
Com 78 dos 104 jogos previstos em solo norte-americano e expectativa de público total superior a 3,5 milhões de torcedores, a logística de vistos é crucial para a Fifa e para o comitê organizador. Restrições amplas poderiam reduzir o fluxo de fãs estrangeiros, afetar a receita de bilheteria e comprometer a atmosfera multicultural – um dos principais atrativos esportivos e comerciais do Mundial.
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Além disso, patrocinadores globais tradicionais em mercados como Brasil e Oriente Médio pressionam por soluções diplomáticas que evitem perdas de exposição. Qualquer flexibilização, no entanto, esbarra na prioridade declarada pelo governo dos EUA à segurança de fronteiras.
Próximos passos e impacto futuro
A ordem que suspende vistos imigratórios entra em vigor amanhã (21). Até lá, consulados devem calibrar o sistema Fifa Pass e comunicar prazos individualizados por país. Caso não haja revisão das restrições, federações afetadas podem recorrer a mecanismos de responsabilidade solidária da Fifa para garantir presença mínima de torcedores, algo já discutido nos bastidores. Nos próximos meses, a evolução das normas migratórias será determinante para definir se o Mundial de 2026 alcançará a ocupação máxima planejada ou enfrentará arquibancadas com setores vazios.
Com informações de BBC Sport