Quem: o ex-jogador Kauê, formado na base do Corinthians
O quê: ganhou na Justiça do Trabalho pensão mensal de R$ 12 mil e indenização por danos morais
Quando: sentença publicada em outubro de 2023; lesão ocorreu em abril de 2021
Onde: Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo
Por quê: o atleta alegou negligência médica do clube após lesão no joelho durante treinamento
Entenda a decisão judicial
A 71ª Vara do Trabalho de São Paulo concluiu que o Sport Club Corinthians Paulista não ofereceu o tratamento adequado após a torção de joelho sofrida por Kauê em atividade no CT da base em abril de 2021. A sentença determinou:
- Pensão vitalícia até o jogador completar 35 anos (2035) no valor de R$ 12.000 mensais.
- Indenização por danos morais cujo montante, somado à pensão, pode chegar a aproximadamente R$ 2,5 milhões.
A defesa do Corinthians ainda pode recorrer, mas o valor já entra no passivo contábil do clube até segunda instância decidir.
Como foi a lesão e a alegação de negligência
De acordo com o relato do atleta ao ge, a contusão aconteceu após um choque simples de treino. Kauê afirmou que sentiu “muita dor” e não conseguia mexer a perna, mas foi liberado apenas para sessões de fisioterapia, sem exames de imagem imediatos. Ele classificou o episódio como o momento em que o Corinthians “tirou meu sonho, minha esperança”.
Indenização em números
R$ 12 mil por mês representa:
- R$ 144 mil/ano – equivalente a 1,3% da folha salarial atual do elenco sub-20, estimada em R$ 11 milhões/ano.
- Acumulado até 2035: R$ 1,7 milhão em pensão, mais cerca de R$ 800 mil de danos morais.
Impacto nas finanças alvinegras
O Corinthians fechou 2022 com dívida total superior a R$ 960 milhões. Embora o valor do processo represente menos de 0,3% desse passivo, expõe dois pontos sensíveis:
- Gestão de departamento médico: novos processos similares podem aumentar gastos não previstos.
- Limite orçamentário: compromissos fixos até 2035 entram na projeção de fluxo de caixa, afetando investimentos em categorias de base.
Raio-X: processos trabalhistas recentes no clube
Segundo levantamento público do Tribunal Regional do Trabalho, o Corinthians enfrenta pelo menos 23 ações em curso movidas por ex-atletas e funcionários. Os casos mais recentes envolvem:
Imagem: Reprodução.
- Danilo Avelar – acordo em 2022 estimado em R$ 1,3 milhão.
- Siddão – goleiro obteve êxito parcial em ação de R$ 2,0 milhões.
- Jucilei – cobrança salarial que supera R$ 1,5 milhão ainda em julgamento.
Próximos passos na esfera jurídica
O clube tem até 8 dias úteis após intimação para ingressar com recurso ordinário ao TRT-2. Caso a condenação seja mantida, ainda cabe Recurso de Revista ao TST, o que pode prolongar o litígio por mais dois anos. Enquanto isso, valores podem ser depositados em juízo ou incluídos em garantias bancárias.
O que muda dentro de campo
Embora não afete diretamente o elenco principal, o caso liga o sinal de alerta no Departamento de Formação de Atletas. A diretoria estuda reformular protocolos de avaliação física e ampliar convênios com hospitais para exames de imagem imediatos, evitando novos passivos e preservando talentos em desenvolvimento.
Conclusão prospectiva: A condenação reforça a necessidade de revisão dos processos médicos e jurídicos do Corinthians. Se confirmada em instâncias superiores, a pensão de Kauê se tornará um débito longo e fixo, pressionando o caixa e aumentando a vigilância sobre a gestão de lesões na base. A forma como o clube reagir a esse precedente indicará sua capacidade de mitigar riscos semelhantes nos próximos anos.
Com informações de Sou Timão