São Paulo — 17/10/2025. A defesa de Andrés Sanchez protocolou nesta sexta-feira, na 2ª Vara de Crimes Tributários de São Paulo, um pedido para que a Justiça rejeite a denúncia do Ministério Público contra o ex-presidente do Corinthians, que o acusa de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário ligados ao uso de cartões corporativos do clube.
Por que a defesa tenta barrar a denúncia?
Assinado pelo advogado Fernando José da Costa, o requerimento afirma que:
- O Ministério Público teria usado extratos bancários sigilosos sem autorização judicial, o que violaria a “reserva de jurisdição”.
- Houve “espetacularização midiática” das diligências, algo que poderia contaminar a imparcialidade do processo.
- O promotor Cassio Roberto Conserino, declaratadamente torcedor do Corinthians, seria “potencial cointeressado/vítima”, o que caracterizaria suspeição.
O que está em jogo para o clube e para o ex-presidente
Segundo o MP, as supostas irregularidades somam R$ 480 mil (valores corrigidos), com pedido de pagamento de 75% desse montante a título de danos morais ao clube. O processo também inclui Roberto Gavioli, superintendente financeiro afastado preventivamente.
Raio-X do contexto financeiro
- Déficit acumulado: o balanço de 2024 do Corinthians registrou déficit de R$ 90 milhões, mantendo a dívida total acima de R$ 1 bilhão.
- Governança em xeque: desde 2021, o clube implantou um comitê de compliance para monitorar gastos; o caso dos cartões corporativos coloca esse sistema à prova.
- Histórico de gestão: Andrés presidiu o Corinthians em 2007-2011 e 2018-2021, períodos em que foram fechados contratos de naming rights da Neo Química Arena e financiamentos com a Caixa.
Como a denúncia pode afetar o dia a dia no Parque São Jorge
Horas após a acusação, Andrés se licenciou do Conselho Deliberativo, movimento que tira um dos nomes mais influentes do tabuleiro político alvinegro a menos de um ano das eleições presidenciais de 2026. Internamente, conselheiros temem:
- Paralisação de projetos de captação — patrocinadores estudam cláusulas de “compliance” mais rígidas.
- Instabilidade no futebol — embora o elenco profissional não esteja diretamente envolvido, o ruído institucional pode afetar a aprovação de verbas para contratações na janela de janeiro.
- Risco de sanções administrativas — caso a Justiça aceite a denúncia e comprove dano ao clube, o Conselho poderá abrir processos internos de responsabilização.
Próximos passos no âmbito jurídico
O juiz da 2ª Vara decidirá primeiro se acolhe ou não o pedido de rejeição apresentado pela defesa. Se a denúncia for aceita, inicia-se a fase de instrução, com possíveis depoimentos, perícias contábeis e, em último caso, julgamento. Já o mandado de busca e apreensão na residência de Andrés depende de autorização judicial e poderá ampliar o conjunto probatório do MP.
Imagem: lavag de dinheiro
Em síntese, o Corinthians vive um impasse que vai além das quatro linhas: a resposta da Justiça definirá se o caso segue para instrução criminal ou se é arquivado de imediato. Qualquer que seja o desfecho, o tema voltará aos holofotes na corrida eleitoral de 2026 e pode influenciar diretamente a liberação de recursos para reforços e infraestrutura no clube.
Com informações de ESPN Brasil