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    Corinthians é cobrado na Justiça por R$ 10 milhões de nova dívida com agentes

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    São Paulo (05/03/2026) – O Corinthians foi alvo de mais uma cobrança judicial na 32ª Vara Cível de São Paulo: a SC & PB Consultoria Assessoria Esportiva entrou com ação exigindo o pagamento de R$ 9.035.322,35, acrescidos de honorários, juros e custas, referente a um acordo firmado em novembro de 2023 para quitar dívidas antigas que, segundo a petição, só tiveram a primeira parcela honrada.

    Como a dívida se formou e por que chegou à Justiça

    O contrato original previa duas parcelas de R$ 2,5 milhões e outras 36 de R$ 40 mil. Apenas o primeiro pagamento foi realizado. Os valores envolvem:

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    • Comissões de intermediação na contratação do volante Fellipe Bastos, que defendeu o clube em 2017;
    • Direitos de imagem descritos em termos de cessão assinados em 27/08/2018;
    • Referência a “Transação Rodrigo Souza”, possivelmente ligada ao ex-atacante Souza “Caveirão”, que atuou de 2009 a 2011.
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    Em 2023, o montante era de R$ 6,4 milhões. Com a inadimplência, incidência de juros e correção monetária elevou a cobrança para pouco mais de R$ 9 milhões.

    RCE: onde essa nova cobrança se encaixa

    Embora o Corinthians tenha obtido homologação judicial para um Regime de Centralização de Execuções (RCE) de aproximadamente R$ 700 milhões, a nova ação não consta na lista original. Como o crédito é anterior a agosto de 2024, a tendência é que seja incorporado ao RCE quando houver sentença definitiva, diluindo-se no cronograma de pagamentos.

    Raio-X das dívidas com agentes

    Dívidas com intermediários já listadas no RCE:

    • Valor estimado: R$ 300 milhões (43% do total de execuções do clube);
    • Número de processos: 74 ações cíveis em andamento até dezembro/2025;
    • Média de correção anual: 9,64% (IPCA + juros de 1% ao mês em execuções de São Paulo).

    Com a nova cobrança, o passivo potencial com agentes pode ultrapassar a barreira de R$ 310 milhões, ampliando a necessidade de renegociação.

    Impacto no caixa e no planejamento esportivo

    O clube trabalha com orçamento projetado de R$ 980 milhões para 2026, mas já comprometeu cerca de R$ 230 milhões do fluxo anual ao serviço da dívida – 24% da receita bruta. Caso precise pagar R$ 9 milhões imediatamente ou depositar em juízo, a diretoria terá de remanejar verbas de:

    • Contratações de meio de temporada (previstos R$ 45 milhões);
    • Folha de pagamentos do elenco, que gira em torno de R$ 27 milhões/mês;
    • Investimentos na base, estimados em R$ 18 milhões para 2026.

    Na prática, a margem para reforços no segundo semestre ficaria ainda menor, podendo forçar priorização de atletas da base ou empréstimos de baixo custo.

    Possíveis próximos passos no processo

    O Corinthians ainda não foi notificado. Após a citação formal, terá até 15 dias úteis para apresentar defesa ou propor acordo. Caso não haja composição, o juiz poderá determinar:

    1. Penhora de receitas futuras de direitos de TV e patrocínios;
    2. Inclusão da dívida no RCE, sujeitando-a ao plano de pagamento escalonado;
    3. Busca de bens livres – cenário improvável, já que a maior parte dos ativos está caucionada em outras execuções.

    Conclusão prospectiva: a nova ação reforça o efeito dominó das dívidas antigas do Corinthians. Se confirmada dentro do RCE, dilui-se no cronograma, mas amplia o bolo a ser pago com correções; se ficar fora, cria passivo urgente que estrangula investimentos esportivos para 2026. A resposta jurídica nos próximos dias sinalizará qual caminho o clube adotará — e pode determinar o quão agressivo será no mercado de meio de ano.

    Com informações de ESPN Brasil

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