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    Agente contesta planilhas do Corinthians na Justiça e pode receber até R$ 80 milhões em dívidas

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    São Paulo, 06/03/2026 — O empresário Carlos Leite, por meio da RC Consultoria e Assessoria Esportiva, entrou com um incidente de impugnação de crédito na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, contestando os valores que o Corinthians listou no Regime de Centralização de Execuções (RCE). Ao revisar as planilhas do clube, Leite alega ter direito a até R$ 80 milhões entre principal, juros, correções e honorários, valor mais de 120% superior ao registrado pelo Alvinegro.

    Por que a cobrança aumentou tanto?

    Nas planilhas protocoladas pelo Corinthians, a RC Consultoria aparece com crédito de R$ 11.768.632,66. O empresário, porém, apresentou documento comprovando que o montante atualizado até agosto de 2024 soma R$ 25.461.461,74. Como o RCE prevê novos juros até a homologação, o total ultrapassaria os R$ 30 milhões.

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    O cálculo inclui ainda honorários advocatícios de 10% para o advogado Gustavo Pinheiro, aumentando a fatura da RC Consultoria para cerca de R$ 28 milhões. O restante até os R$ 80 milhões envolve outros dois processos:

    • B & C Consultoria: reivindica aproximadamente R$ 35 milhões.
    • SC & PB Consultoria: ação de quase R$ 10 milhões, ainda fora da lista inicial do RCE.

    Jogadores envolvidos nas intermediações

    As cobranças se referem a contratações ou renovações de atletas que marcaram diferentes ciclos do Corinthians, como Cássio, Fágner, Elias, Renato Augusto e Gil. Esses acordos remontam a períodos nos quais o clube buscava manter a espinha dorsal de elencos campeões — e, consequentemente, se comprometeu com altas comissões.

    Raio-X das dívidas do Corinthians no RCE

    • Perdas prováveis declaradas: mais de R$ 700 milhões.
    • Dívidas com agentes: cerca de R$ 300 milhões (42% do total).
    • Percentual de receita destinado a pagamentos: 4% no 1º ano, 5% no 2º e 6% no 3º, com horizonte de quitação em até 10 anos.
    • Início dos desembolsos: previsto ainda para março de 2026, após homologação do plano.

    Impacto financeiro imediato

    A confirmação dos R$ 80 milhões pleiteados por Carlos Leite pressionaria o caixa corintiano já na primeira leva de repasses do RCE. Considerando a projeção de receita anual divulgada no último balanço (R$ 700 mi), o clube reservaria cerca de R$ 28 mi para todos os credores no primeiro ano (4% da receita). Se a impugnação for acolhida, Leite passaria a disputar quase todo esse montante logo de saída, tornando inevitável o alongamento dos demais passivos.

    O que diz o Corinthians?

    Em nota, o departamento jurídico do clube sustenta que os valores listados no RCE “não são dívidas líquidas, certas e exigíveis, mas projeções que podem — ou não — se confirmar”. O Alvinegro ainda não foi formalmente citado sobre a impugnação, mas deverá apresentar manifestação quando intimado.

    Perspectiva para os próximos meses

    O desenrolar do caso serve de termômetro para outros agentes e ex-jogadores que aguardam pagamento no mesmo regime. Se o tribunal reconhecer o valor integral pleiteado por Leite, cresce a chance de efeito cascata: novas impugnações podem surgir, elevando o passivo efetivo muito além dos R$ 700 milhões projetados.

    Conclusão — Próximos passos: a decisão judicial sobre a impugnação de Carlos Leite definirá não apenas o fluxo de caixa imediato do Corinthians, mas também o grau de confiança de credores no RCE. Caso o clube seja obrigado a reconhecer os R$ 80 milhões, ajustes no planejamento financeiro e até na política de contratações podem se tornar inevitáveis ao longo da temporada.

    Com informações de ESPN Brasil

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