São Paulo, 18 de dezembro de 2025 – O Corinthians está em fase final para obter um empréstimo de aproximadamente R$ 70 milhões junto à Liga Forte União (LFU), operação que deve ser formalizada nos próximos dias. A diretoria alvinegra pretende utilizar o montante para quitar parte do transfer ban imposto pela FIFA e reforçar o fluxo de caixa da temporada 2026.
Por que o empréstimo se tornou urgente?
O Timão só poderá registrar novos atletas quando quitar a dívida relativa ao zagueiro Félix Torres, contratada junto ao Santos Laguna (MEX). A condenação determina o pagamento de US$ 6,14 milhões (cerca de R$ 34 milhões), acrescidos de multa de 15% e juros de 18% ao ano. Sem o acordo, o bloqueio permanece e compromete qualquer planejamento de elenco.
Além dessa pendência, o clube já foi sentenciado a honrar o contrato integral do meia Matías Rojas. Somadas, as duas punições ultrapassam R$ 85 milhões. Outras quatro ações (Rodrigo Garro, Maycon, José Martínez e Charles) aguardam decisão na Corte Arbitral do Esporte e podem elevar o total para mais de R$ 125 milhões.
Detalhes financeiros do acordo com a LFU
A negociação prevê que as parcelas do empréstimo sejam quitadas diretamente nas cotas de TV de 2026, estimadas em R$ 36 milhões, com taxa de juros equivalente a CDI + 3 pontos percentuais (aproximadamente 17% ao ano). Essa estrutura reduz a pressão imediata sobre o caixa, mas gera um compromisso relevante a médio prazo.
Raio-X das dívidas que geraram o transfer ban
- Félix Torres: US$ 6,14 mi (≈ R$ 34 mi) + 15% de multa + 18% a.a. de juros.
- Matías Rojas: contrato integral estimado em R$ 51 mi.
- Pendências em análise no CAS (Garro, Maycon, Martínez e Charles): podem elevar o passivo para R$ 125 mi.
Impacto na montagem do elenco para 2026
Com a nova fonte de recursos, a diretoria pretende regularizar o bloqueio antes da abertura da janela de transferências, permitindo o registro de reforços pontuais. A prioridade será qualificar setores carentes sem comprometer a folha, que deve cair 19%, de R$ 505 milhões para R$ 410 milhões, segundo o orçamento aprovado.
Se o empréstimo não saísse, o Corinthians corria o risco de iniciar 2026 sem poder inscrever atletas, cenário que afetaria performance esportiva e receitas como bilheteria, premiações e novos patrocínios.
Imagem: Internet
Cenário orçamentário de austeridade
O orçamento de 2026 projeta superávit de R$ 12 milhões e lucro operacional de R$ 320 milhões. A estratégia combina:
- Redução de R$ 95 milhões na folha geral de salários.
- Previsão de R$ 151 milhões em vendas ou mecanismos de solidariedade da FIFA.
- Receita de R$ 335 milhões em direitos de TV e R$ 255 milhões em patrocínios.
Nesse contexto, o empréstimo atua como ponte financeira, evitando atrasos salariais e mantendo a credibilidade na praça.
Perspectiva: se o contrato com a LFU for efetivado e o transfer ban encerrado até a janela de janeiro, o Corinthians terá margem para reposicionar o elenco dentro do teto salarial previsto e buscar competitividade sem descumprir a política de austeridade. Caso as demais ações no CAS sejam desfavoráveis, novos ajustes de folha ou novas fontes de receita podem se tornar necessários ao longo de 2026.
Com informações de ESPN