São Paulo (SP) – O presidente Osmar Stabile revelou, nesta semana, que o Corinthians ainda não sabe se terá fôlego financeiro para manter Memphis Depay após julho de 2026. O atacante holandês, que recebe mais de R$ 3 milhões mensais, acumula cerca de R$ 40 milhões em valores atrasados entre luvas, direitos de imagem e bônus por títulos, e já pode assinar um pré-contrato com qualquer clube.
Pressão salarial escancara limite orçamentário alvinegro
Desde 2023, o Corinthians vem adotando um teto informal de vencimentos na casa dos R$ 1,5 milhão. Depay, contratado em condições especiais, é a principal exceção. A conta ficou pesada: segundo Stabile, será preciso atrair parceiros comerciais para preencher a lacuna ou negociar uma redução drástica de salário com o atleta.
O desafio não é apenas bancar o holandês: o Timão fechou 2023 com déficit superior a R$ 180 milhões e projeta aumento na folha para 2024 por reajustes automáticos de contrato. Manter Depay nas cifras atuais compromete cerca de 12% do orçamento anual do departamento de futebol.
O que Depay entrega dentro de campo
Apesar do alto custo, o rendimento esportivo é inegável. Dono de 44 gols em 90 jogos pela seleção holandesa, Depay agrega ao elenco corintiano características raras no mercado local:
- Capacidade de atuar como centroavante ou ponta esquerda, facilitando variações táticas em 4-3-3 e 4-2-3-1;
- Alta taxa de finalizações: média de 3,1 chutes por jogo nas últimas três temporadas europeias;
- Participação direta em gols a cada 142 minutos em sua trajetória nos grandes centros (PSV, Manchester United, Lyon, Barcelona e Atlético de Madrid).
No Corinthians, ele elevou o índice de conversão de grandes chances da equipe de 14% para 21% desde a sua estreia, segundo dados internos do clube.
Raio-X financeiro: quanto custa manter o holandês?
| Salário mensal atual | R$ 3,0 milhões |
| Dívida acumulada (luvas + imagens) | R$ 40 milhões |
| Duração do vínculo | Até julho de 2026 |
| Impacto na folha 2024 | ≈ R$ 36 milhões/ano |
Para permanecer, Depay teria de aceitar corte estimado de 40%–50% nos vencimentos ou ver o clube captar investidores externos que bancassem parte dos salários, modelo semelhante ao utilizado por Flamengo com Gabigol em 2020.
Caminhos possíveis: renovação, venda ou saída gratuita
1. Renovação com redução salarial
− Exigiria acordo ainda em 2024 para que o Corinthians ganhe tempo e não perca o jogador de graça.
Imagem: Marcos Ribolli
2. Negociação antecipada
− Clube buscaria compensação financeira já na próxima janela, evitando que o atleta firme pré-contrato e saia sem receita.
3. Pré-contrato em 2026
− Cenário menos favorável: Depay sai livre, Corinthians arca com parte da dívida e perde poder de mercado.
Impacto esportivo nos próximos meses
Com Brasileirão e Copa do Brasil em disputa, a definição do futuro de Depay afeta diretamente o planejamento tático. Caso permaneça apenas até o meio de 2026, o técnico precisará acelerar a integração de jovens como Arthur Sousa e Wesley, potenciais substitutos internos. Se a diretoria concretizar uma venda, o clube deve priorizar reforços de velocidade para manter o volume ofensivo – o time soma média de 1,5 gol por jogo com Depay em campo e 0,9 sem ele.
Conclusão: a incerteza sobre Memphis Depay expõe o limite financeiro do Corinthians e coloca pressão sobre a diretoria para decidir entre sacrificar caixa, buscar investidores ou antecipar uma venda. As próximas janelas de transferência serão decisivas para determinar se o Timão seguirá contando com um dos nomes mais talentosos que já vestiram a camisa 10 alvinegra.
Com informações de Sou Timão