Quem: Corinthians e a empresa de conteúdo adulto Fatal Model
O quê: proposta de patrocínio de R$ 40 milhões ignorada
Quando: reunião realizada em 2023; detalhes revelados agora
Onde: Parque São Jorge, sede social do clube
Por quê: divergência de critérios comerciais e de exposição de marca
Negociação milionária ficou sem resposta
O sócio e diretor de negócios da Fatal Model, Samuel Ongaratto, afirmou em entrevista que levou ao Corinthians uma proposta de R$ 40 milhões para que a empresa estampasse seu logotipo no calção ou no meião do uniforme por duas temporadas. Segundo ele, o montante era “cerca de dez vezes” superior à média praticada pelo mercado — valores normalmente entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões. Apesar do interesse manifestado por e-mail e da formalização contratual enviada, o clube não retornou, positiva ou negativamente.
Por que R$ 40 milhões fazem diferença no caixa corintiano?
O Corinthians fechou 2023 com dívida total acima de R$ 1 bilhão, de acordo com o último balanço publicado. No mesmo documento, o clube registrou déficit operacional de R$ 190 milhões e atraso recorrente no pagamento de direitos de imagem do elenco profissional. Os R$ 40 milhões ofertados pela Fatal Model representariam aproximadamente:
- 20% da folha salarial anual do futebol (estimada em R$ 200 milhões);
- quase três vezes a receita obtida com o patrocinador master atual em 2023 (cerca de R$ 15 milhões anuais);
- um alívio expressivo no fluxo de caixa para quitar pendências com atletas e fornecedores.
Critérios comerciais e de reputação podem ter pesado
O clube não se pronuncia oficialmente sobre a negociação, mas fatores internos ajudam a explicar a ausência de resposta:
- Política de marcas “family friendly”: contratos anteriores vetaram empresas de apostas ou de bebidas em determinadas propriedades visuais do uniforme;
- Exposição em órgãos regulatórios: patrocínios ligados a conteúdo adulto podem encontrar restrições em campeonatos com normas específicas de transmissão;
- Reposicionamento de portfólio: a diretoria, recentemente, concentrou esforços em marcas de grande consumo (Mercado Livre, Ale) e startups de tecnologia.
Raio-X das propriedades de uniforme corintiano
Faixa central (peito): Mercado Livre – R$ 25 mi/ano
Costas: Vai de Bet – R$ 12 mi/ano
Mangas: Banco BMG – R$ 8 mi/ano
Barra frontal: Ale Combustíveis – R$ 5 mi/ano
Calção/Meião: sem ocupação fixa em 2024
Impacto esportivo: recurso direto para elenco e mercado
Caso a proposta tivesse sido aceita, o aporte de R$ 40 milhões permitiria, na prática, amortizar débitos com jogadores e abrir espaço para reforços na janela de julho. A equipe de António Oliveira identificou necessidade de um zagueiro canhoto e de um meia criativo após sofrer 14 gols nas primeiras 12 rodadas da Série A. Em termos de fair play financeiro, a entrada líquida poderia reduzir a relação “dívida/receita” em cerca de 7%, aproximando o clube dos parâmetros da Libra.
Imagem: Reprodução.
Próximos capítulos: novas fontes de receita no radar
A diretoria corintiana continua em busca de um patrocinador para o calção e para o meião, propriedades que, somadas, representam menos de 5% da exposição de marca no uniforme, mas podem gerar relevante ticket médio. Há conversas adiantadas com empresas do setor de serviços financeiros digitais e uma licitação interna que deve ser concluída até o início do returno do Brasileirão.
Conclusão: Ao optar por não avançar com a Fatal Model, o Corinthians preserva critérios de imagem, mas deixa de injetar um valor que cobriria praticamente dois meses de folha salarial. O desfecho mostra o dilema corintiano entre a urgência de caixa e o posicionamento institucional. A definição das cotas remanescentes do uniforme nas próximas semanas indicará se o clube encontrará alternativas capazes de igualar — ou ao menos mitigar — os R$ 40 milhões que ficaram pelo caminho.
Com informações de Sou Timão