Edimburgo, 20 de dezembro de 2025 – A Scottish Premiership ganhou contornos de disputa real pelo título. O Heart of Midlothian chega à virada do ano seis pontos à frente do Celtic e nove à frente do Rangers (que tem um jogo a menos), cenário que recoloca a liga escocesa no radar de quem busca equilíbrio entre os grandes.
Panorama da tabela e o “porquê” do debate
Após 18 rodadas, o Hearts soma 41 pontos e ainda não deixou a liderança desde a vitória por 3–1 sobre o Celtic, em 26 de outubro. O Celtic, agora treinado por Wilfried Nancy, perdeu os quatro jogos que disputou sob o novo comando e estacionou em 35 pontos, com um jogo a menos. Já o Rangers, revitalizado por Danny Rohl, emplacou seis vitórias e dois empates, chegando a 32 pontos com a partida extra por fazer.
Como o Hearts construiu a vantagem
O técnico Derek McInnes replicou parte do modelo que o levou a quatro vice-campeonatos seguidos pelo Aberdeen (2015–2018). A equipe:
- Faz transições rápidas pela esquerda, explorando a força física de Lawrence Shankland na área;
- Ocupa o meio com bloco compacto (média de 40,8 m de distância entre primeira e última linha, segundo dados públicos da liga) que dificulta a circulação rival;
- Tem 10 vitórias em 14 jogos com vantagem no placar parcial, mostrando gestão emocional em partidas decisivas.
McInnes evita falar em título, mas admite desgaste menor do que em 2024/25, quando o clube lutou para escapar da metade inferior da tabela.
O dilema tático do Celtic de Wilfried Nancy
Nancy rompeu com a linha de quatro tradicional e implementou um 3-4-2-1 que ainda não encaixou. Os números expõem a transição:
- 4 derrotas consecutivas – a pior sequência desde 1978;
- Média de 1,75 gol sofrido por partida sob o novo esquema (era 0,83 com Martin O’Neill no interino);
- Queda de 9% na posse no terço final, sugerindo dificuldade para criar vantagens em amplitude.
Internamente, o clube reforça que manterá o francês até pelo menos a janela de janeiro, quando deve buscar laterais-alas para tornar o sistema de três zagueiros mais dinâmico.
Rangers reage, mas ainda busca consistência
A chegada de Danny Rohl coincidiu com a saída do 4-2-3-1 para um 4-3-3 que valoriza a pressão pós-perda. O time subiu de 43% para 58% de ações ofensivas iniciadas no campo rival, porém ainda oscila na defesa:
- Últimos 3 gols sofridos vieram de bola aérea – alerta para o duelo direto contra o Hearts, que utiliza Shankland como alvo.
Com uma vitória no domingo, o Rangers pode reduzir a diferença para seis pontos (mantendo o jogo a menos) e reacender matematicamente a luta pelo título.
Imagem: Internet
Raio-X da disputa
| Clube | Pontos | Saldo | Jogos |
|---|---|---|---|
| Hearts | 41 | +16 | 18 |
| Celtic | 35 | +14 | 17 |
| Rangers | 32 | +11 | 17 |
Dados oficiais da Scottish Premiership até 19/12/2025.
Mercado de janeiro: o fator que pode mudar o jogo
• Hearts contará com investimento do acionista Tony Bloom e já encaminhou o ponta cazaque Islam Chesnokov.
• Rangers estuda reforçar a zaga e o lado esquerdo; Rohl indicou desejo por “vários jogadores” logo em 1º de janeiro.
• Celtic planeja dois mercados (janeiro e verão) focados em alas ofensivos para dar profundidade ao 3-4-2-1.
O que vem por aí?
A sequência até o fim de janeiro inclui confrontos diretos: Hearts x Rangers neste domingo e Celtic x Aberdeen na mesma rodada. Caso a distância entre os três primeiros caia para menos de seis pontos, a Premiership poderá viver a disputa mais apertada desde 2010/11, quando Rangers e Celtic chegaram à última rodada separados por um ponto.
Conclusão prospectiva: Se o Hearts sustentar a vantagem até a reabertura da janela e Celtic ou Rangers não reagirem rapidamente, o campeonato escocês pode assistir à primeira quebra real da hegemonia de Glasgow em mais de duas décadas. A partida deste fim de semana e os primeiros movimentos de mercado serão decisivos para definir se teremos, de fato, a corrida de três cavalos que os torcedores tanto aguardam.
Com informações de BBC Sport