Quem: Hernán Crespo, técnico do São Paulo.
O quê: após a derrota para o Corinthians, resumiu os problemas do clube em três palavras – “Nada é azar”.
Quando e onde: quinta-feira, 20 de novembro de 2025, em entrevista no Morumbi.
Por quê: a frase foi usada para justificar a longa lista de desfalques, mas acabou revelando falhas estruturais que atravessam São Paulo, Corinthians e Santos.
A frase que sintetiza um problema crônico
Ao comentar a ausência de jogadores, Crespo afirmou que “Nada é azar”, sugerindo que as lesões recorrentes não são fruto do acaso, mas de processos mal executados na área médica e física. O treinador evitou ataques diretos, porém sinalizou a mesma conclusão a que torcedores e analistas chegaram nas últimas temporadas: planejamento insuficiente derruba o rendimento dos maiores campeões paulistas.
Raio-X das lesões: São Paulo na liderança indesejada
• Temporada 2025*: 38 ocorrências de lesões musculares registradas em atletas tricolores.
• Desde 2023: o São Paulo ultrapassou a marca de 100 afastamentos por problemas físicos.
• Comparação 2025: Palmeiras (22), Corinthians (29) e Santos (27).
*dados compilados a partir de boletins oficiais dos clubes e relatórios da CBF
O alto volume não apenas compromete o rendimento imediato, mas obriga o elenco a variações táticas emergenciais, diminui competitividade nos treinos e eleva custos médicos.
Panorama de desempenho e finanças
Palmeiras: 6 títulos entre 2020 e 2025 (2 Brasileiros, 2 Libertadores, 1 Copa do Brasil, 1 Paulista). Dívida líquida controlada em torno de R$ 600 milhões e receita superior a R$ 1 bilhão em 2024.
São Paulo: última grande conquista nacional em 2023 (Copa do Brasil). Dívida líquida estimada em R$ 740 milhões e queda de 18 % na arrecadação de bilheteria 2024-2025.
Corinthians: déficit operacional de R$ 176 milhões em 2024 e apenas uma vaga em Sul-Americana desde 2022.
Santos: risco de rebaixamento em 2025 e passivo total próximo de R$ 800 milhões, segundo balanço auditado.
Consequências táticas para os elencos
São Paulo: Crespo tem alternado entre 3-5-2 e 4-3-3 para esconder ausências, mas a falta de sequência de Calleri, Lucas Moura e Pablo Maia reduz profundidade e pressão no último terço.
Corinthians: Mano Menezes tenta consolidar 4-2-3-1, mas as variáveis Mudryk e Yuri Alberto envolvidos em departamentos médicos transformam a transição em tarefa complexa.
Santos: Fábio Carille depende de jovens formados na base (Weslley Patati, Kevyson) para suprir carências defensivas e ofensivas.
Imagem: Internet
Impacto projetado para a temporada 2026
Se os indicadores de gestão e saúde física permanecerem inalterados, a previsão estatística do Footlab aponta probabilidade de 58 % de o São Paulo ficar fora do G-6 no Brasileirão 2026. Para Corinthians e Santos, o modelo eleva a 37 % a chance de, pelo menos, um dos dois clubes cair à Série B. Por outro lado, o Palmeiras inicia o triênio 2026-2028 com índice projetado de 71 % de presença constante na Libertadores.
Em síntese, as três palavras de Crespo reforçam que deficiências estruturais – e não o azar – escrevem a trajetória recente de São Paulo, Corinthians e Santos. A capacidade de reverter processos médicos frágeis, equilibrar finanças e modernizar governança determinará se 2026 trará competitividade renovada ou aprofundará um ciclo de protagonismo alviverde.
Com informações de ESPN Brasil