BELO HORIZONTE (25.fev.2026) – O Cruzeiro anunciou que, na partida desta quarta-feira contra o Corinthians, no Mineirão, disponibilizará um ponto de coleta na esplanada Sul para arrecadar roupas e alimentos não perecíveis, destinados às famílias afetadas pelas fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira.
Como funcionará a coleta no Mineirão
A estrutura de recebimento será montada a partir da abertura dos portões, duas horas antes do apito inicial. Torcedores poderão entregar os donativos diretamente a voluntários identificados com coletes do clube e da Defesa Civil. Todo o material será separado por categoria (vestuário, gêneros alimentícios, itens de higiene) ainda no estádio, facilitando a rápida distribuição nos municípios atingidos.
Por que o Cruzeiro age agora
Entre a noite de 23 e a manhã de 24 de fevereiro, a Zona da Mata registrou um volume de chuva superior à média histórica para todo o mês, provocando transbordamento de rios, alagamentos e deslizamentos. As autoridades confirmam 30 mortes (23 em Juiz de Fora e 7 em Ubá) e decretaram estado de calamidade pública em várias cidades. A proximidade geográfica com Belo Horizonte – cerca de 260 km – e a logística rodoviária facilitam que o clube envie os donativos nas primeiras 24 h após a partida, período considerado crítico pelo Corpo de Bombeiros para suprir abrigos provisórios.
Raio-X da tragédia
- Chuvas acumuladas em Juiz de Fora: 220 mm em 12 h (média de fevereiro: 180 mm).
- Desabrigados: estimados 4,5 mil, segundo a Defesa Civil estadual.
- Municípios em calamidade: Juiz de Fora, Ubá, Cataguases, Muriaé e Visconde do Rio Branco.
- Principais necessidades imediatas: roupas secas, alimentos de pronto consumo, água potável e material de higiene pessoal.
Antecedentes de ações sociais do clube
Não é a primeira vez que a Raposa mobiliza sua torcida em situações emergenciais. Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, o clube arrecadou 60 t de alimentos para comunidades carentes de Belo Horizonte. Em 2023, uma campanha semelhante destinou 15 t a municípios do Vale do Mucuri, também atingidos por enchentes. Essas iniciativas reforçam a tradição de engajamento da torcida cruzeirense em causas humanitárias.
Efeito cascata: o que a mobilização pode gerar
O jogo contra o Corinthians, adversário de grande apelo nacional, tende a atrair público superior a 45 mil pessoas. Se cada torcedor levar ao menos 1 kg de alimento, o clube poderá superar 45 t em um único evento – volume capaz de abastecer cerca de 90 mil refeições emergenciais, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Além disso, a visibilidade da partida em rede aberta e pay-per-view amplia o alcance da causa, estimulando doações em postos externos e via PIX solidário divulgado pela Defesa Civil.
Imagem: chuvas na Za da Mata
Próximos passos e impacto futuro
Encerrada a coleta, caminhões cedidos por patrocinadores transportarão os donativos diretamente aos centros de distribuição em Juiz de Fora e Ubá já na madrugada de quinta-feira (26). O clube planeja manter ponto fixo de arrecadação na Toca da Raposa II durante a semana, caso a previsão de novas chuvas se confirme. A iniciativa pode servir de modelo para outras agremiações que receberão jogos em Minas Gerais nos próximos dias, ampliando a rede de apoio às vítimas.
Perspectiva: a ação solidária desta quarta-feira não apenas atende a uma necessidade humanitária imediata, mas também reforça a imagem institucional do Cruzeiro como agente social ativo. Caso a logística se cumpra como planejado, o clube tende a consolidar uma força-tarefa permanente para desastres naturais, aproximando-se ainda mais de sua torcida e de patrocinadores com foco em responsabilidade social.
Com informações de Diário Celeste