Roma, 8 de outubro de 2025 — O CEO da Lega Serie A, Luigi De Siervo, respondeu com firmeza ao meio-campista Adrien Rabiot na assembleia realizada no Estádio Olímpico. O francês havia classificado como “loucura” a decisão de levar Milan × Como para a Austrália, e ouviu de De Siervo que “jogadores que ganham milhões precisam respeitar quem paga seus salários”, referindo-se ao próprio Milan, que aceitou a partida fora da Itália.
Por que Milan × Como será disputado na Austrália?
A ida de um jogo oficial da Série A para outro continente faz parte do plano de internacionalização da liga. A estratégia busca:
- Aumentar receita de direitos de transmissão em fusos pouco explorados.
- Consolidar a marca do campeonato em um mercado com cerca de 2,1 milhões de fãs declarados de futebol europeu (dados da Nielsen Sports).
- Estabelecer ponte comercial para pré-temporadas e acordos de patrocínio locais.
O que incomodou Rabiot e a resposta de De Siervo
Rabiot argumentou que as 20 horas de voo e o fuso de +8 horas podem comprometer “performance e saúde” dos atletas. De Siervo rebateu afirmando que:
- As viagens ocorrerão em business class e com logística de recuperação programada.
- “Trata-se de um evento excepcional, não de rotina”, disse o dirigente.
- O sacrifício “é proporcional aos salários multimilionários” recebidos.
Raio-X: números que cercam a polêmica
- Salário de Rabiot: estimado em 7 milhões de euros por temporada, segundo levantamento do portal Calcio e Finanza.
- Distância Milão–Melbourne: 16.400 km; tempo médio de voo direto com escala técnica, 19h40.
- Receita projetada: a Lega Serie A estima ganho extra de 12-15 milhões de euros entre cota de TV local, bilheteria (60.000 lugares) e patrocínios.
- Histórico de jogos oficiais fora do país: LaLiga (Espanha) tentou em 2018, mas não levou adiante; a NFL realiza até 5 jogos por ano em Londres e Frankfurt desde 2007.
Impacto esportivo imediato
Para o Milan, que busca o bicampeonato, a viagem ocorre entre as rodadas 7 e 8. O departamento de performance planeja:
- Chegada à Austrália com seis dias de antecedência para aclimatação.
- Rotação de elenco — média de 4,2 mudanças no time titular em jogos pós-data FIFA nas últimas duas temporadas.
O Como, recém-promovido, encara a partida como vitrine internacional. A equipe, que tem o sexto elenco mais jovem da liga (24,7 anos), vê possibilidade de bônus financeiro para reinvestir em infraestrutura.
Imagem: Internet
O que esperar a partir de agora?
A Lega Serie A tratará a partida como teste-piloto. Caso o evento alcance a meta mínima de 90 % de ocupação do estádio e eleve em 15 % a audiência média global, o calendário 2026-27 poderá reservar até três confrontos no exterior. Clubes e sindicato de atletas, porém, querem cláusulas objetivas de descanso — 72 horas entre chegada e jogo e 96 horas antes da rodada seguinte — para evitar novas rusgas como a de Rabiot.
Se o modelo se provar financeiramente viável e logisticamente sustentável, a Série A pode ganhar um diferencial competitivo na corrida por mercados emergentes, mas dependerá de diálogo constante entre dirigentes e atletas para equilibrar receita, performance e saúde física. O duelo “transcontinental” entre Milan e Como, portanto, será medido não apenas pelo placar, mas como termômetro para o futuro global da liga.
Com informações de Corriere dello Sport