Porto Alegre, 13 de outubro de 2025 – Os pré-candidatos à presidência do Grêmio, Paulo Caleffi e Odorico Roman, expuseram nesta segunda-feira (13) suas visões sobre o uso da Arena do Grêmio em entrevista ao programa Zona Mista, no canal da GZH no YouTube. O tema central foi o equilíbrio entre a realização de shows e a preservação do gramado, questão que pode definir receitas e desempenho esportivo no triênio 2026-2028.
Por que a discussão é estratégica
A Arena foi inaugurada em 2012 com o conceito de estádio multiuso, mas, desde 2019, o clube tem restringido eventos após reclamações sobre a qualidade do gramado. A decisão afeta duas frentes:
- Desempenho esportivo – O Grêmio teve a 4ª melhor campanha como mandante no Brasileirão 2023 (14 vitórias, 3 empates e 2 derrotas). Manter o gramado em condições ideais é visto internamente como vantagem competitiva.
- Receita não-futebol – Arenas como o Allianz Parque (Palmeiras) arrecadam até 20% do faturamento anual com shows. Para o Grêmio, cada grande evento pode gerar milhões em locação, bilheteria e exposição de marca.
O que propõe Paulo Caleffi
Caleffi defende prioridade total ao futebol. Ele admite abrir exceção para espetáculos de grande visibilidade, desde que encaixados em calendário que não afete jogos ou preparação da equipe.
“Na Arena tem que prevalecer o futebol […] Em uma oportunidade como um show do Coldplay, você não pode perder, mas em data correta”, resumiu.
A visão de Odorico Roman
Roman adota postura mais flexível, mas com foco na proteção do gramado. Para ele, é possível explorar áreas do complexo – como esplanada e edifícios anexos – sem comprometer o campo de jogo.
“É possível fazer eventos sem danificar o gramado”, afirmou, relembrando críticas do investidor Marcelo Marques à deterioração pós-shows.
Imagem: reprodução
Raio-X: impacto financeiro e esportivo
- Capacidade da Arena: 55 mil lugares (futebol); até 60 mil em shows, dependendo do palco.
- Dias ociosos: o calendário do Brasileirão utiliza em média 25 datas-mandante por temporada, deixando cerca de 340 dias disponíveis.
- Histórico de queixas: em 2017, após show internacional, o Grêmio precisou trocar 3.200 m² de grama híbrida antes da Libertadores; o custo ficou acima de R$ 400 mil (dados de balanços divulgados à época).
- Receita potencial: estimativas do mercado apontam que um show “A-list” pode render entre R$ 1,5 milhão e R$ 3 milhões líquidos ao gestor do estádio, variando conforme patrocínios e regime fiscal.
Próximos passos da corrida eleitoral
A assembleia para escolha do presidente do Grêmio ocorrerá em novembro de 2025. Até lá, os candidatos deverão detalhar contratos, calendários alternativos e possíveis parcerias com promotoras de eventos para sustentar suas teses. O tema deve reaparecer em debates e influenciar o voto de sócios preocupados tanto com as finanças quanto com a performance esportiva.
Conclusão prospectiva: a decisão sobre shows na Arena transcende a agenda cultural; ela pode redefinir a estrutura de receitas do clube e impactar diretamente o rendimento do time em campo. A forma como Caleffi e Roman calibrarão essa equação será decisiva não apenas para o triênio 2026-2028, mas para o posicionamento do Grêmio no cenário de arenas multiuso do futebol brasileiro.
Com informações de Portal do Gremista