São Paulo Futebol Clube oficializou nesta segunda-feira (9) a demissão de Hernán Crespo, encerrando a segunda passagem do treinador argentino pelo Morumbi após 46 partidas. A saída ocorre três dias depois de sua última entrevista, concedida à ESPN em 6 de março, na qual o técnico já havia sinalizado que “talvez chegue outro para ser campeão”, citando a necessidade de tempo e estrutura para que o clube volte a empilhar títulos.
Por que Crespo caiu agora?
O desempenho recente no Brasileirão 2026 e a carência de resultados consistentes pesaram na decisão. Apesar de um início promissor em julho de 2025, o aproveitamento total de 51% (21 vitórias, 7 empates e 18 derrotas) ficou aquém das expectativas de um clube que busca retomar o protagonismo nacional.
Na entrevista prévia à demissão, Crespo citou desafios financeiros, políticos e estruturais que colocam o São Paulo “atrás” de rivais com maior investimento. A diretoria avaliou que, após oito meses, a evolução competitiva desejada ainda não se concretizou.
Raio-X da Era Crespo (2025-2026)
- Partidas: 46
- Vitórias: 21
- Empates: 7
- Derrotas: 18
- Aproveitamento: 51,4%
- Média de gols marcados: 1,28 por jogo*
- Média de gols sofridos: 1,09 por jogo*
*Médias calculadas a partir dos placares oficiais divulgados pelo clube durante o período.
Contexto histórico: a relação Crespo x Tricolor
Esta foi a segunda vez que o argentino comandou o São Paulo. Na primeira passagem, em 2021, ele quebrou um jejum de oito anos sem taças ao conquistar o Campeonato Paulista. O retorno em 2025 gerou expectativa de reedição do sucesso, mas a realidade financeira de 2026 — marcada por contenção de gastos e reestruturação de dívidas — impôs limitações ao elenco.
Impacto imediato na temporada
O Tricolor tem sequência de três confrontos em oito dias:
Imagem: Internet
- Chapecoense (C) – 12/03, 20h – Brasileirão
- Red Bull Bragantino (F) – 15/03, 20h30 – Brasileirão
- Atlético-MG (F) – 18/03, 20h30 – Brasileirão
Com a mudança de comando técnico, a preparação para a partida contra a Chapecoense será conduzida por um interino — via de regra, o auxiliar permanente ou o treinador do Sub-20 — até que o novo nome seja anunciado. Nos bastidores, a direção mira um perfil capaz de:
- Estabilizar o sistema defensivo, uma vez que o time sofreu em média 1,09 gol/jogo;
- Potencializar jovens formados em Cotia, reduzindo custos de mercado;
- Garantir competitividade suficiente para brigar por vagas em competições continentais, objetivo mínimo traçado para 2026.
O que está em jogo para o próximo técnico
O novo treinador herdará um elenco em reforma, um calendário apertado e a expectativa de entregar resultados imediatos sem margem para grandes investimentos. A tendência é que, nas primeiras rodadas pós-troca, o time apresente ajustes pontuais (posicionamento defensivo e transições) antes de mudanças táticas mais profundas.
Em síntese, a saída de Hernán Crespo encerra um ciclo que trouxe estabilidade parcial, mas não o salto competitivo desejado. O desafio agora é escolher rapidamente um técnico capaz de acelerar a transição estrutural do clube sem perder terreno na tabela. Os próximos jogos serão termômetro direto da efetividade dessa decisão e apontarão o rumo do São Paulo no restante da temporada 2026.
Com informações de ESPN.com.br