More

    Bastidores da saída de Crespo do São Paulo: clima ruim com elenco, Luan titular na semi e folga tripla após queda no Paulista

    Anúncios

    São Paulo demitiu o técnico Hernán Crespo nesta segunda-feira (9), no CT da Barra Funda, após sequência de episódios que desgastaram a relação com jogadores e diretoria — da escalação de Luan na semifinal do Paulistão contra o Palmeiras à concessão de três dias e meio de folga logo após a eliminação.

    Clima interno deteriorado: a cronologia dos atritos

    A insatisfação começou a ganhar forma ainda durante o Campeonato Paulista. A escolha por Luan como titular da semifinal, segundo fontes ouvidas pela ESPN, foi vista como decisão “supersticiosa” — o volante marcou o primeiro gol da final de 2021 sobre o mesmo Palmeiras. O problema é que, cinco anos depois, o contexto tático era outro: Luan vinha de poucas partidas como titular e a comissão de análise de desempenho recomendava maior dinamismo na saída de bola.

    Anúncios
    Anúncios

    O revés por 2 x 0 em Barueri expôs não só a opção de Luan, mas também a entrada do centroavante André Silva, há oito meses sem atuar, nos minutos finais. Atacantes mais utilizados, Ferreira e Tapia, demonstraram irritação no banco de reservas, acentuando o ruído de vestiário.

    De “superfolga” a ausência no CT: os fatos que pesaram

    Horas depois da eliminação, Crespo concedeu três dias e meio de folga ao elenco e embarcou para a Argentina ainda no domingo. Na segunda, o executivo Rui Costa e o gerente esportivo Rafinha foram ao CT, mas encontraram apenas instalações vazias. Parte dos jogadores reapareceu na terça, e o único membro da comissão presente era o preparador físico.

    Diante de um calendário apertado — o Tricolor estreia no Brasileirão já no dia 12/03, contra a Chapecoense —, a diretoria classificou a folga como “absurda”. O episódio funcionou como gota d’água num copo já cheio de desconfortos: viagens pessoais antes de jogos (caso da partida contra a Portuguesa), pedidos por reforços considerados “oportunidades de mercado” sem lastro financeiro e atritos com líderes do elenco, como Lucas Moura e Cédric Soares.

    Banco insatisfeito e gestão de grupo em xeque

    O momento mais emblemático ocorreu ainda dentro do ônibus, ao deixar a Arena Barueri. Enquanto jogadores lamentavam a queda, Crespo e auxiliares acompanhavam a rodada do Campeonato Argentino. O distanciamento emocional foi interpretado como falta de sintonia com o projeto esportivo.

    Juntos, esses episódios indicam como decisões técnicas pontuais podem minar a gestão de grupo quando não são comunicadas com clareza. A substituição de André Silva, por exemplo, quebrou a lógica meritocrática estabelecida desde a pré-temporada, gerando insegurança interna justamente às vésperas do principal mata-mata estadual.

    Raio-X: situação do São Paulo pós-Crespo

    • Próximos jogos: Chapecoense (C) – 12/03; Red Bull Bragantino (F) – 15/03; Atlético-MG (F) – 18/03.
    • Elenco: 31 atletas no plantel profissional, média de idade de 25,7 anos; líderes técnicos Lucas Moura (atacante) e Rafael (goleiro).
    • Ponto crítico: setor ofensivo ainda busca reposição pós-saída de Calleri; Ferreira e Tapia somam a maior minutagem entre os pontas, mas possuem apenas 2 gols cada em jogos oficiais de 2026.
    • Histórico recente: sob Crespo, o Tricolor encerrou o Paulista com 7 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, aproveitamento de 58% (dados do clube).

    O que muda com Roger Machado

    Ex-Internacional, Roger Machado deve ser anunciado nos próximos dias. Conhecido por transitar entre o 4-4-2 losango e o 4-2-3-1, o treinador tende a:

    • Reforçar a marcação alta, ponto em que suas equipes históricas se notabilizaram, o que pode potencializar Lucas Moura e Ferreira nas retomadas curtas.
    • Abrir espaço para volantes construtores — papel que pode devolver protagonismo a Alisson e Wellington Rato, hoje utilizados como meias mais adiantados.
    • Reduzir a rotatividade excessiva: Roger costuma trabalhar com “onze-base”, algo que a cúpula considera crucial para encorpar desempenho já no primeiro terço do Brasileirão.

    Impacto imediato na temporada

    A troca no comando técnico acontece a apenas três dias da estreia nacional, deixando pouco tempo para ajustes. A curto prazo, a comissão interina deve repetir a base que encarou o Palmeiras, mas com tendência a reintegrar Ferreira e Tapia desde o início. Cada ponto conquistado nessa janela de transição será vital: o São Paulo abre o Brasileirão com dois jogos fora de casa em sequência e precisa evitar o efeito-dominó de início ruim, algo que lhe custou posições em 2025.

    Conclusão prospectiva: A demissão de Crespo encerra um ciclo que, apesar de ter resgatado o título estadual em 2021, perdeu força na gestão de pessoas e planejamento de temporada. Com Roger Machado, o São Paulo ganha um técnico de perfil metodológico, capaz de operar mudanças estruturais no curto prazo. O próximo mês, porém, será o verdadeiro termômetro: se o Tricolor traduzir a troca em resultados contra Chapecoense, Bragantino e Atlético-MG, o campeonato nacional pode começar com nova narrativa; caso contrário, o ambiente seguirá pressionado por resultados e pelo fantasma de decisões controversas recentes.

    Com informações de ESPN Brasil

    Anúncios

    Artigos relacionados

    Anúncio spot_img

    Artigos recentes