Belo Horizonte (MG), 12/02/2026 — O Atlético-MG oficializou nesta quinta-feira a saída do técnico Jorge Sampaoli. A decisão foi tomada após reunião na Cidade do Galo, dois dias depois do empate por 3 a 3 com o Remo, resultado que manteve a equipe com apenas duas vitórias em 10 partidas na temporada. O auxiliar Lucas Gonçalves assume interinamente já neste sábado (14), contra o Itabirito, pelo Campeonato Mineiro, enquanto o Grêmio monitora a mudança antes do confronto direto marcado para 25 de fevereiro, na Arena, pela Série A.
Por que o Atlético-MG optou pela troca de comando?
Apesar do investimento no elenco, o Galo começou 2026 com desempenho irregular. O setor defensivo sofreu com falhas de posicionamento, e o ataque, mesmo com nomes de peso, alternou bons momentos e partidas de baixa produção. Internamente, a diretoria avaliou que a instabilidade técnica e o desgaste de Sampaoli com parte do elenco inviabilizavam a continuidade do projeto.
A demissão encerra o segundo ciclo do argentino no clube — o primeiro ocorreu em 2020, quando levou o time ao terceiro lugar do Brasileirão. À época, Sampaoli era elogiado pela pressão alta e posse de bola agressiva, mas em 2026 a execução do modelo perdeu consistência, sobretudo nas transições defensivas.
Raio-X do início de temporada do Galo
- Aproveitamento: 26,6% (2 vitórias, 4 empates, 4 derrotas).
- Gols marcados: 12 — média de 1,2 por jogo.
- Gols sofridos: 14 — média de 1,4 por jogo.
- Partidas sem sofrer gol: 2 em 10.
- Oscilação fora de casa: nenhuma vitória como visitante em 2026.
Os números reforçam a percepção de que o Atlético-MG perdeu eficiência nas duas áreas, algo que pesou na decisão da diretoria.
Como o Grêmio pode explorar a fase de transição
O técnico Luís Castro terá 13 dias para estudar o Galo de Lucas Gonçalves. Interinos costumam manter estrutura básica, mas adaptações emergenciais podem abrir brechas:
- Saída de bola sob pressão: a equipe mineira sofreu para construir quando marcada em bloco alto. O Grêmio, que já utiliza pressão pós-perda, pode intensificar essa estratégia.
- Bolas paradas defensivas: nos 10 jogos de 2026, o Atlético sofreu 5 gols em faltas ou escanteios. Treinar repertório nas bolas paradas ofensivas vira prioridade tricolor.
- Fator psicológico: a troca de técnico costuma gerar curto pico de motivação (“efeito reação”), mas também eleva a margem de erro tático. Controlar o ritmo e usar posse sustentada pode aumentar a ansiedade adversária.
Agenda apertada e desafios imediatos
O Galo terá ao menos três partidas antes de ir a Porto Alegre (Itabirito pelo Mineiro e duas rodadas da Série A). Esse período servirá de laboratório para Lucas Gonçalves, mas também de material de análise para o departamento de desempenho gremista. Já o Tricolor, após a derrota por 2 a 0 para o São Paulo, precisa corrigir o posicionamento da primeira linha defensiva e calibrar a transição ofensiva, pontos que falharam no Morumbis.
Imagem: Pedro Souza
O que esperar dos próximos capítulos
Enquanto o Atlético-MG avalia nomes para assumir o comando definitivo — o mercado sul-americano oferece opções experientes com disponibilidade imediata —, Lucas Gonçalves tem missão de evitar perda de competitividade no Mineiro e somar pontos iniciais na Série A. Para o Grêmio, a partida do dia 25 se transforma em oportunidade de aproveitar um adversário em processo de reconstrução, mas também exige cautela diante de um elenco tecnicamente qualificado que pode reagir rápido.
Em síntese, a demissão de Sampaoli reconfigura o cenário tático para as próximas semanas. Caso o interino não estabilize o Galo, o Grêmio pode encontrar um rival vulnerável na Arena. Se, porém, a troca servir de gatilho para evoluir o modelo de jogo, o duelo em Porto Alegre ganhará contornos decisivos para o impulso inicial na tabela de 2026.
Com informações de Portal do Gremista