Quem: a torcedora e colunista Mariana Capachi Nogueira Soares. O quê: publicou um desabafo contundente sobre a perda de identidade da torcida do Atlético-MG. Quando: texto disponibilizado nesta semana. Onde: portal FalaGalo. Por quê: segundo Mariana, a combinação de jogadores “sem raça”, arquibancadas menos pulsantes e prioridades financeiras do clube coloca em risco a alma atleticana.
O que motivou o desabafo
No artigo, Mariana Capachi relata que, mais do que resultados em campo, a ausência de entrega dos jogadores e o distanciamento do torcedor tradicional são as principais fontes de frustração. A colunista compara o presente com o passado recente, quando torcedores “riscavam o calendário” para caber jogo do Galo. Hoje, segundo ela, parte da massa alvinegra estaria se tornando “plateia passiva”.
Radiografia da arquibancada: números de público e engajamento
Embora o Atlético-MG tenha terminado o Brasileirão 2023 com média de 29,4 mil torcedores por jogo (6ª melhor da competição, segundo a CBF), o índice esteve 15% abaixo do recorde alvinegro de 2015, quando o clube atingiu 34,6 mil pagantes. Em 2024, a média na Arena MRV nas partidas do Estadual foi de cerca de 18 mil, um recuo justificado pelo novo preço médio dos ingressos (R$ 82) e pelos horários menos atrativos.
Raio-X da bilheteria 2023
• Jogos como mandante: 30
• Ocupação média do Mineirão/Arena MRV: 59%
• Receita bruta com ingressos: R$ 47,2 milhões
• Receita líquida (após taxas): R$ 27,8 milhões
A performance em campo e a desconexão com a torcida
Os protestos não ocorrem em um vácuo. Desde o título brasileiro de 2021, o Atlético-MG viu sua produção ofensiva cair: foram 55 gols no Brasileirão 2023, contra 67 na campanha do tri. Ao mesmo tempo, a equipe sofreu 7 derrotas em casa na última temporada, número superior ao acumulado de 2021 e 2022 somados (5).
Essa perda de desempenho contribui para a sensação de que falta a “raça” citada por Mariana. A ausência de peças identificadas historicamente com o clube — Hulk, atualmente o principal ícone, tem contrato até dezembro de 2024 — reforça a ideia de descolamento entre campo e arquibancada.
Imagem: perder títulos
Impacto futuro: como a diretoria pode reconectar time e massa alvinegra
O desabafo evidencia um ponto crítico para 2024: a inauguração definitiva da Arena MRV exige ocupação média próxima de 35 mil pagantes para equilibrar custos operacionais. Sem reconquistar a torcida, o clube corre o risco de comprometer o fluxo de caixa da nova casa e perder a pressão que sempre caracterizou o Galo como mandante.
Entre as medidas já discutidas internamente estão:
- Revisão das categorias e preços do GNV, programa de sócio-torcedor que hoje contabiliza 105 mil associados ativos;
- Criação de espaços populares na Arena MRV para ingressos abaixo de R$ 40;
- Ações de marketing que resgatem símbolos históricos — caso da reedição do uniforme de 1971 — para reforçar o senso de pertencimento.
Conclusão Prospectiva: O texto de Mariana Capachi serve como termômetro social: a paixão alvinegra continua viva, mas pede resposta urgente de diretoria e elenco. Com fase decisiva do Campeonato Brasileiro e o início da Libertadores à frente, cada jogo na Arena MRV representará não apenas três pontos, mas também a chance de provar que “ninguém mata o que já nasceu imortal”.
Com informações de FalaGalo