Nottingham – 09/03/2026. Menos de nove meses após assumir o recém-criado cargo de Diretor Global de Futebol, o brasileiro Edu Gaspar deve ser dispensado pelo Nottingham Forest ao fim da temporada 2025/26, segundo reportagem do The Athletic. A passagem relâmpago, que deveria impulsionar o clube a um novo patamar de mercado, acabou marcada por atritos técnicos, instabilidade no banco de reservas e um time que hoje ocupa apenas a 17ª colocação da Premier League, a um ponto da zona de rebaixamento.
Por que a aposta em Edu Gaspar naufragou
Contratado em julho de 2025 após passagem de destaque pela diretoria do Arsenal, Edu chegou com a missão de centralizar recrutamento, desempenho e estratégia de elenco. A ideia do proprietário Evangelos Marinakis era repetir o modelo de “manager continental”, dando ao executivo autonomia para negociações de alto nível, capitalizando sua relação antiga com o agente Kia Joorabchian.
Na prática, porém, o brasileiro esbarrou em três obstáculos principais:
- Atrito imediato com Nuno Espírito Santo: o treinador português criticou publicamente o planejamento para a temporada, sinalizando divergência sobre perfil de contratações.
- Mercado pouco efetivo: a principal chegada foi o atacante Igor Jesus, já apalavrado antes da Copa do Mundo de Clubes. Alvos como Douglas Luiz e Oleksandr Zinchenko deixaram a equipe antes de dezembro.
- Rotatividade de técnicos: depois da saída de Nuno em setembro, o Forest rodou por Ange Postecoglou, Sean Dyche e agora Vítor Pereira, corroendo qualquer coerência de projeto esportivo.
Choque de gestão: troca de treinadores e queda de rendimento
Cada mudança no comando trouxe ideias táticas distintas, o que refletiu em rendimento irregular. Com elencos montados sob diretrizes diferentes, o clube patina para encontrar identidade dentro de campo:
- Nuno Espírito Santo – 6 jogos, 1 vitória, 3 empates, 2 derrotas.
- Ange Postecoglou – 9 jogos, 2 vitórias.
- Sean Dyche – 11 jogos, 9 pontos somados.
- Vítor Pereira – assumiu em fevereiro; empate emblemático por 2 x 2 contra o Manchester City fora de casa.
A sequência de ideias desconexas inviabilizou o “projeto integrado” que Edu pretendia conduzir.
Raio-X do Forest 2025/26
- Premier League: 17º lugar, 28 pontos em 29 rodadas (média de 0,96 ponto/jogo).
- Copa da Inglaterra: eliminado na 3ª fase pelo Wrexham (2ª divisão).
- Copa da Liga: eliminado na 3ª fase pelo Swansea City.
- Europa League: 13º geral; enfrentará o Fenerbahçe no playoff das oitavas.
Defensivamente, o time já sofreu mais de 40 gols no campeonato, índice superior ao mesmo período da campanha histórica de 2024/25, quando a equipe terminou na metade superior da tabela.
Imagem: Andrew Yates
Impacto futuro: o que muda sem Edu
A saída do executivo reduz a camada diretiva entre o elenco e o proprietário. A curto prazo, Marinakis tende a retomar o modelo de director of football mais enxuto, focado em recrutamento local e redução de folha. No campo esportivo:
- Janela de verão 2026: a indefinição pode atrasar negociações, deixando o plantel vulnerável a saídas.
- Luta contra o Z-3: a projeção estatística indica necessidade de 12 a 14 pontos nos nove jogos restantes para evitar a queda – média superior ao que o clube obteve até aqui.
- Europa League: avançar contra o Fenerbahçe traria receita extra e uma válvula de confiança num vestiário abalado.
Conclusão prospectiva
O recuo de Edu Gaspar encerra um ciclo que prometia modernizar a gestão do Nottingham Forest, mas acabou aprofundando a instabilidade. Sem um pilar diretivo claro, o clube agora depende da rápida adaptação de Vítor Pereira e de uma janela de transferências precisa para estancar a ameaça de rebaixamento e manter viva a esperança continental. A forma como Marinakis reorganizará o organograma nas próximas semanas será determinante para o futuro esportivo e financeiro do tradicional campeão europeu.
Com informações de Trivela